sábado, 24 de setembro de 2022

O que é isso da saudade?

 


O que é isso da saudade?

A verdadeira saudade.

(A que dói e corrói.)

Dei-me ao trabalho de espreitar a definição que o dicionário lhe dava e fiquei surpreendida. Não contava encontrar algo tão completo. Assim:



Contudo, por outro lado, ali não encontro nada que explique que a saudade nos obriga a olhar para nós, de fora para dentro. E de dentro para fora.

Mas ela obriga.

Também não explica que nos força a refletir sobre que raio é que se passa connosco.

Mas ela força.

Não esclarece o que é que estamos a fazer de errado para não podermos, simplesmente, chegar a casa ao final do dia e despir aquilo, limpá-lo de nós, como qualquer outra rotina.

Não explica como se sai dali.

Não quantifica a dimensão do sentimento.

Não avisa que não temos muito tempo para nos prepararmos.

Não prepara para nos sentirmos assoberbados quando, num só momento, se junta a saudade de alguém, de lugares, de sons, de sensações e, até, de quem já fomos.

Gargalhadas.

Telefonemas - muitos e longos.

Cumplicidade.

ESTARMOS.

Não antecipa que isso, tudo junto, transborda para fora de nós, enche o espaço à nossa volta e instala-se em todos os cantos da nossa vida. E que, por isso, para onde quer que olhemos, vemos aquilo: a conjugação das saudades todas numa só.

Dói. Corrói.

A meta? A meta está naquele ponto em que as saudades já não serão exatamente saudades. Serão paz e farão sorrir. Sorrir, apenas. Sentir aquele quentinho no coração. Conforto. E poderemos seguir em frente com o nosso percurso, transportando somente uma mochila de doces recordações - não de saudades.

Mas onde é que isso fica?

A vida tem sempre este condão de nos obrigar a ser… humanos. Ser humano. Ser. Humano. Pessoa.

Às vezes, gostava de ser um simples robô.

Uma máquina.