A história começa assim: era uma vez vocês e eu que, cheias de motivação, nos quisemos fazer maiores. Pelos vistos, só não sabíamos em quê. Morava, dentro de nós, a certeza de que esta maioridade viria com um qualquer tratado sobre um qualquer "tema", depois de dois anos muito produtivos e enriquecedores. (Só não sabíamos em quê.)
Como eu, vocês também sabem admitir que sim, tudo isto foi muito produtivo e muito enriquecedor. E, como eu, vocês também sabem, e muito bem, em que é que o foi.
Neste texto, que faz o jeito de um balanço, encontro memórias que, agora, não sei sentir como, por exemplo, quando nos vejo, ainda, desconhecidas na sala, ou quando duas de vocês só interpretaram corretamente uma certa situação, quanto chegou a vossa vez de passarem por ela. Não sei sentir essas memórias porque já não são o que somos.
Aos bocadinhos, fomo-nos descobrindo e descobrindo os palhaços do nosso circo. Rirmo-nos com eles (e também deles... acontece aos melhores), deixou que nos mostrássemos cada vez mais, até nos rirmos e divertirmos como se não houvesse amanhã. A partir daí, ganhámos todo o tipo de fama que fique compreendido entre o conceito de brincalhonas e o conceito de desinteressadas. E importámo-nos com isso? Claro que não.
Tornámo-nos num poço de gargalhadas e mestres na arte de ouvir o que os outros querem realmente dizer, conseguindo dissecar o mais pequeno comentário e responder "Não perde uma oportunidade!".
Rimo-nos do cuspo, das caretas, do (des)penteado, da ventoinha, dos óculos, da limonada, do aparelho, do emprego do latim, dos slides, da monotonia, dos números, dos berros, da graxa, das contradições, das dramatizações, dos olhos azuis, do Môr, do traje marítimo, do cabelo da velha, do jornal, das notas, e de muito mais. E, o que é mais querido no meio disto tudo, reparem, é que continuamos a rir de tudo isto e do "muito mais"!
E agora digam-me: fizemo-nos ou não nos fizemos maiores? Ficámos ou não ficámos mais ricas? Somos ou não somos mestres na arte de conviver, viver a vida e fazê-lo com um enorme sorriso na cara?
Foram, ou não foram, "dois anos muito produtivos e enriquecedores"?
