sábado, 26 de janeiro de 2008

Duas dúzias de imperfeitas perfeições...

São assim ELES...

● Ele é o mais distante. É nos recreios que se revela, exagerando na dependência de carinho. Na sala ninguém o ouve... nem quando é suposto. O olhar estático que acompanha o seu emudecimento gela quem quase implora para que fale... "Não sabe?", "Tem vergonha"? AHHH!!!

● Ele é um pinguim porque caminha de pés juntinhos quando surgem os nervos de estar perto da Professora. E emite uns guinchinhos inigualáveis, para aliviar a timidez... Escreveu para a Assembleia de Turma "Gosto muito da minha Professora e queria um abraço" e assinou "admirador secreto". Estas Professoras inconvenientes, que reconhecem a letra dos seus meninos...

● Ele trauteia o "13 de Maio", acompanhando os sinos da igreja; quando cai em si cora até à raiz dos cabelos, enquanto escorrega para debaixo da mesa. Chora quando repreendido, cola-se que nem uma lapa quando decide dar abraços, enquanto esconde a cara na minha camisola...

● Ele é um sedutor, refila quando vê abraços que não são para ele, e seduz com palavreado bonito, para conseguir também um para si... Não me posso esquecer do seu recado: "Quando a Professora morrer, mande-nos um e-mail que nós vamos logo ter consigo."...

● Ele é o que mais fala pelo olhar. Tímido, lindo de morrer, e com um sorriso que é exclusivo seu. Assimétrico nos movimentos, simétrico no carinho correspondido que lhe tenho. Não é difícil... é só ser atingido por aquele olhar doce, que às vezes a franja esconde...

● Ele é perfeito... sabe tudo: o que aprendeu e o que ainda não. Não sai nem entra naquela escola sem marcar presença com um sentido abraço, mesmo com os braços curtinhos do seu posto de "miniatura". Sorri e derrete quem o vê sorrir...

● Ele é uma criança diferente. É inteligente em áreas que lhe interessam, ignorando tudo o resto. Conquista-me quando obedece à primeira, quando se empenha no esforço e quando escreve "Eu adoru a milha pofesora"...

● Ele tem umas pestanas que nunca mais acabam e uns olhos vivos e salientes. Adoro quando inclina a cabeça para a frente e puxa as órbitas para cima, em sinal de arrependimento. Estica os braços sempre que me vê passar e delicia-se quando é correspondido...

● Ele é dono de um olhar distante e vazio. Imprevisível e imaturo... Querido quando está para aí virado. É o falador-mor, que surpreende e cansa quem o ouve e vê. Por vezes surpreende com um pedido de desculpas pelo seu comportamento... mas não surpreende com os abraços apertados à minha cintura...

● Ele é conhecido entre nós por ser incrivelmente egocêntrico. Mas tem razões para isso... Além dessa característica, salta a insistência em trazer perguntas que fazem fugir as respostas... "Professora, o que é o silicone? É que a minha mãe tem um soutien com isso e, quando o põe, fica com umas m_____ maiores!".

● Ele é um graxista... e um querido que me recebeu, em Setembro, de uma forma que jamais esquecerei. Entretanto, cultiva a admiração mútua... ensinou-me esta semana, por exemplo, que o mundo "tem uma oitava maravilha": era eu...

● Ele tem as mais lindas bochechas que alguma vez receberam um beijinho meu e tem um olhar terno, que lança espreitando por cima das lentes dos óculos. Desespera-me pela lentidão com que trabalha e desespera os colegas, quando estica a mão e consegue alcançar-me e receber um miminho, por estar ali tão perto...


São assim elas...

● Ela é uma pequena adolescente, com espírito de líder. Volta e meia lá me tenta dar a volta... "Se me deixar ir para aí, faço-lhe massagens". Ela sabe que adoro... Remédio santo para dias de maior stress...

● Ela foi a última a chegar. Tem uma pronúncia que conquistou todos... cultiva a ingenuidade que os seus pares, felizmente, mantêm. Daí a rápida dedução de que, se um peixe faria o nível de água de um copo subir, "então xe uma baleia entraxe num rio, o rio ficaria xem água". (Talvez por isso não existam baleias nos rios; nunca me tinha lembrado disso...)

● Ela é... bem... é a que está à espera de um milagre... também eu estou... também eu estou! Que medo... às vezes o 2 é igual a 4...

● Ela é a a artista do grupo. Não conheço ninguém que saiba desenhar assim! Às vezes deixa-me sem resposta... cometi, um dia, o erro de não me despedir dela na hora em que foi chamada. Acabara de repreender um grupo que trouxera toda a energia possível para aquele fim de dia... Arrependi-me rapidamente, que a coitada nada tinha a ver com isso... corri, a tempo, até à escada. E, no dia seguinte, primeira frase: "Professora, obrigada por ontem ter ido às escadas só para me dar um beijinho, foi tão querida!". Ela é assim...

● Ela é quaaaase, quaaaase perfeita. Tem uma consciência brilhante de todos os seus actos e tem aquela nova mania de fazer visitas às 8h da manhã... "Professora, eu menti-lhe no outro dia." - nem eu me lembrava de tal coisa! Foi a primeira a receber-me como sua Professora, no primeiro dia com quem veio mais cedo... "Era mesmo, mesmo a Professora que eu mais queria!!!".

● Ela é quase como o outro... quase, porque não é perfeita... "apenas" para lá caminha. Foi a primeira a cá chegar, mesmo antes dos outros 23 serem meus. Tem um sorriso rasgado, uns curtos braços de "miniatura" e uma boca que lhe conferiu o estatudo de "graxista". Como é que naquele tamanhinho cabe tanto mimo para dar?!

● Ela é mais uma miniatura. Não há coisa mais engraçada que ouvi-la dizer, à Ecoponto, "Fazes-me essa gentileza, fazes??", quando lhe apetece receber miminhos e a hora não é essa... E, se recuso, cruza os braços e finge um amúo... barrigada de riso, logo!

● Ela é daquelas que tem um tamanho perigoso, que ameaça a norma fundamental ali dentro - "É proibido ser mais alto do que a Professora". Sorri inclinando a cabeça, num jeito especial de sorrir também com o olhar... e tem uma voz docinha, docinha!

● Ela é a irrequieta do grupo... mas a que mais repete a pergunta "Professora... posso ir aí dar-lhe um abraço?". Uma artista no desenho...

● Ela é mais uma das que vibra com o futebol... e com os beijinhos... e chega a casa para escrever no messenger "Já tenho saudades suas"...

● Ela é dona de uma presença difícil de ignorar. Onde está, sabe-se que está... demora-se em todo o lado pois assim vai marcando a sua presença. Imprevisível no seu balancé da maturidade/imaturidade. E mia, palavra que mia...

Nunca pensei que, do nada, surgisse a moda de colocar o dedo no ar para esclarecer "uma dúvida" ou "infinitas dúvidas". "Dá-me um abraço?"; "Posso dar-lhe um abraço?"; "Posso dar-lhe um beijinho"?; "Posso sentar-me ao seu colo?"; "Posso ir para ao pé de si?"...
Não sei porquê, mas cheira-me que o final do ano será dramático... como foi o meu, quando passei pelo mesmo (embora tivesse a agravante de trazer 4 anos e não 1). Resultado para mim? A minha ex-Professora... uma das maiores amigas de sempre! (e dura, e dura, e dura...).


Simplesmente, eu ADORO aquelas duas dúzias de imperfeitas perfeições...