Com o impulso forte da Leona Lewis (“A moment like this”), preparei-me para o último pôr-do-Sol de Zanzibar. “Some people wait a lifetime for a moment like this" é a primeira expressão a fazer imensíssimo sentido. Depois, o “something so tender I can’t explain”, porque, o que este pôr-do-Sol traz, não se exprime por palavras, por música, por fotos ou pelo insistente filmar que não tenho conseguido evitar (nem tento). Não. Nada leva a tranquilidade, a serenidade, o tal “something so tender I can’t explain” para lado algum que não seja este, aqui e agora.
“The call” (Regina Spektor), que muitíssimo me diz. Permito-me adequar a letra ao momento, pois, na minha ânsia de parar o que vejo agora e de o lever para casa comigo, tendo-o PARA TODO O SEMPRE, conforta-me especialmente ouvir a parte “Just because everything changes doesn’t mean it’s never been this way before”.
Faço grandes pausas enquanto escrevo ao lado, claro está, da máquina de filmar que não pára. Tenho de garantir que não perco um segundo que seja do espectáculo.É a última vez.
Poucas linhas de caneta... mas já na terceira música. Todas escolhidas a dedo. Agora, e por falar em linhas, transformo-me por cada vez que oiço este começo - "All of this lines across my face", em "The story", de Brandi Carlile. Não é apenas a letra, mas todo o conjunto. Tem sido aquela que oiço vezes sem conta e não canso. Se não é a minha música preferida, é uma das.
Entretanto, o Sol parece à distância de uma falange, da linha do horizonte. É um círculo perfeito, cor-de-laranja (igualzinho aos desenhos que eu fazia na minha infância) cujo aparente movimento de "pôr" é quase visível a olho nu. Com pena, não foi desta que tocou o mar, limpo de nuvens... elas formam uma linha que me impede de o ver mergulhar no Pacífico.
Entretanto, o Sol parece à distância de uma falange, da linha do horizonte. É um círculo perfeito, cor-de-laranja (igualzinho aos desenhos que eu fazia na minha infância) cujo aparente movimento de "pôr" é quase visível a olho nu. Com pena, não foi desta que tocou o mar, limpo de nuvens... elas formam uma linha que me impede de o ver mergulhar no Pacífico.
Nova música escolhida, pelo conjunto, novamente. "Little love", de um Aaron que eu conheci num anúncio de uma série. Esta é demasiado maravilhosa! Hum... afinal, a letra tem algo para mim. "Don't worry, life is easy." - repete ele, justamente quando o Sol desaparece por detrás das nuvens, sem ainda ter alcançado o mar. Aparece para responder ao imenso rol de perguntas que me atinge subitamente, como: Serei capaz de guardar de forma eficaz, mesmo muito forte e sentida, tudo o que tenho visto ("ver" num sentido muitíssimo abrangente) nestes fins-de-tarde? Conseguirei ir buscar estes sentimentos de tranquilidade, serenidade, paz plena às minhas memórias, da forma que dizia a música "The call" - "Let your memories grow stronger and stronger til they're before your eyes"? Conseguirei manter esta sensação de escudo contra eventuais stresses que se avizinhem ou como cura, após atingida por eles?
Sinto-me incrivelmente feliz... por tudo e mais alguma coisa! O distante. O próximo (como o livro que li nestes dias, 400 páginas de "A coleccionadora de ilusões", de Chris Bohjalian - as últimas 305 páginas em dois dias, tal o entusiasmo; absolutamente fascinada com o desenrolar da história e, sobretudo, com o imprevisível final).
Ahhh... que bom seria poder passar, de vez em quando, um dia inteiro na praia, a ler, terminando com este pôr-do-Sol fascinante e inspirador (que não existe em mais sítio algum por onde eu já tenha passado), que nos aproxima de nós mesmos e nos faz sentir tão bem acompanhados, mesmo que familiares e amigos já se tenham retirado para os quartos, ou para a vista da varanda! Na varanda, o espectáculo é também maravilhoso, mas não tive coragem de arredar pé da areia; o mar daqui, sem ondulação, também tem o seu "quê" e intensifica de forma algo... espiritual o fenómeno do sol.
A vida é linda.
De novo a Leona, mas o "Bleeding Love", pela força da melodia. O leitor de mp3 é "a cereja", em cima deste "bolo espiritual" e a esperança é que todos estes estímulos permitam manter a memória de hoje bem viva, bem presente, bem sentida. Volume no máximo.
Podia dançar na areia, correr pela praia ilumiada pelo que resta da luz solar de hoje... e gritar que a vida é linda e que sou feliz. Mas, por segurança, é melhor ficar onde estou, sem mais do que gritar pela escrita - tão libertadora quanto uma corrida maluca ou uma dança tonta.
Para terminar, mais Leona... "Footprints in the sand", novamente pela força... potentíssima!!! Sinto-me a arrepiar; confesso que, inicialmente, pelo refrão (acontece-me cada vez que me distraio e baixo as defesas), mas agora é porque estou com frio! O Sol passou a ser luz, já não aquece (a pele, que a alma ferve). E cá estão os mosquitos, ora bolas.
Acabo de esboçar um aberto sorriso a dois Masai. Passam o dia nisto. Vão passando, pela beira-mar, não sei de onde nem para onde, e vão acenando, dizendo o seu "Jambo!" que já sinto saudoso.
Sim, está quase.
Maldito frio repentino...
Vou arranjar-me para jantar.
Uma última coisa: os empregados do Gemma Dell'Est são demais, extremamente bem formados... sorriem muito, perguntam "How was your day?" e "How was your night?", dizem "See you tomorrow!" e "Enjoy your day!".
Cheira-me a perfeição ou, como disse por cá alguém que eu conheço, "It smells me...".
A serenidade sentida hoje é indescritível e a lembrança deste fim de tarde será um refúgio poderoso, espero eu, durante um longo período de tempo.
Um dia, quero voltar.