sábado, 8 de setembro de 2018

Querido step,



Querido step,

Conhecemo-nos em dezembro de 2016, na minha primeira aula de Bodystep. Devo dizer-te que não foi exatamente amor à primeira vista. A Marta fez parecer tudo muito fácil e dois dias depois foi a vez da Filipa fazer o mesmo, mas...

Quando a Marta ia para a direita, eu ia para a esquerda. Quando a Filipa ia para baixo, eu ia para cima. E, quando faziam "cha-cha-cha", eu parava para tentar perceber o que se passava nos pés delas. 

Quando, finalmente, atinava com um "att" ou um "ott", o passo mudava. E nem vou referir o que se passava entre nós os dois quando andava à tua volta e tinha a certeza de que conseguia a proeza de marchar e saltar sempre na direção contrária à de toda a gente. 

Ia para casa desanimada, é certo que totalmente contagiada pela energia de cada uma delas, mas a achar que isso não me chegava. Mesmo quando elas diziam "Bora, Filipa!" ou "Eu não vi!", tornando tudo mais humano, mais pessoal.

(Vamos ter em conta que não fazia exercício físico há 15 anos, o que igualmente contribuiu para alguma desmotivação. E a conversa de que me sentiria melhor em breve começava a cheirar mal. As dores de pernas durante dias que o dissessem.)

Querido step, eras a minha frustração e elas a minha inspiração. Um braço de ferro. Muita persistência. Uma vontade enorme de levar até ao fim a decisão de ter entrado no ginásio, por mim; só por mim.

E a vitória do braço de ferro pendeu para aquele lado, o do palco.

A magia começou a acontecer a partir do lançamento do Bodystep 107. Cada ponto do meu cérebro se focou em conhecer-te melhor, em conhecer-me melhor. Comecei a saber corresponder a um "shuffle", aos "att" e "ott", ao "Jack", ao "cha-cha-cha" e a muitos outros. Até àquele que faz lembrar "strudel" de maçã!

Comecei a gritar "Hei!" nos saltos, a decorar coreografias e a acompanhar as músicas. Passei a gostar de ti, step! Um amor à "segunda vista", mas incondicional, confesso-te.

E depois vieram amizades com quem estava à minha volta. Algumas que se chegam mesmo a estender agora para lá das paredes do ginásio.

Mal sabia, querido step, que tinhas reservado isto tudo para mim e que te tornarias numa parte tão abrangente e significativa da minha vida. Um "amigo" dos dias bons e menos bons. Uma companhia perfeita imediatamente a partir daqueles primeiros segundos, quando começa a "All the right moves" (talvez a minha preferida), ou a "Respectable" (mesmo com aquela cena maluca dos braços), "Welcome to my house" (voltinhas já sempre para o lado certo, à primeira), "Sorry not sorry" (decide-te Demi Lovato!) e dezenas de outras faixas 1.

Adoro cada faixa e canto. Canto mesmo. E mesmo quando posso estar a dizer um disparate porque, querido step, tu achas que eu sei o que quer dizer "rock the casbah" ou "we are, we are, we are sure fire winners"? (Mas isso interessa? Nada.)

E aquela cereja no topo do bolo?! Aqueles picos 10 em que a alma sai do corpo, mal oiço "I control!" (o meu 10 favorito) ou aquele "Poison" (o meu primeiro 10), quando o gráfico do Polar A360 se torna vermelho e eu sei que estou a dar tudo, num esforço final, embora não queira nunca que essa faixa acabe.

Sinto-me agora melhor do que nunca - corpo e alma. As pernas sobem escadas com a maior das facilidades e já não me lembrava do que era não ter de parar para recuperar o fôlego. A minha alma está completa, orgulhosa.

Obrigada, querido step. Teremos uma longa relação pela vida fora...

Bodystep for life!