domingo, 26 de abril de 2009

Colégio do coração - Parte II

O segundo dia foi tão emocionante quanto o primeiro, ou talvez um pouco mais. Voltei a ter a sorte de encontrar algumas pessoas do dia anterior e muita pena de não matar saudades de outras pessoas cuja contribuição para a minha vida foi GIGANTE. E, mais uma vez, quem encontrei tornou cada minuto memorável e cada memória anterior ainda mais sentida... e saudosa.
Cheguei ao colégio do coração e, mais uma vez, fui conviver com pares meus: boa-disposição, simpatia e união por um objectivo comum. Que maravilha!!!
A festa foi colorida, divertida e fez rebentar o pavilhão com os aplausos e a contagiante boa-disposição!
Mas o melhor estava para vir. Aquele conforto interior... Aquela saudade que preenche e não se ultrapassa.
Eu e a amiga que vive tudo isto com a mesma intensidade quanto eu fomos procurar uma Irmã em particular, de quem foi aluna 4 anos. Encontrámo-la num local que, como qualquer outro daquele colégio, nos viu crescer durante 15 anos. Contou como leram na Comunidade a entrevista do Jornal de Letras. E estava lá ela com mais 3 outras Irmãs que nos conhecem desde sempre... Foi de lágrimas nos olhos que a "Irmã que cantava na missa connosco" se dirigiu a mim e me disse "Não calculas como foi bom ver-te!". A expressão sincera com que o disse veio reforçar que em parte ALGUMA do mundo eu me poderia encontrar... se não ali. A "Irmã das flores", que passava algum tempo na varandinha do ginásio antigo, com o seu regador e os seus vasos de flores... e outro tanto tempo no jardim do recinto de estacionamento, para onde não nos deixava ir, não fôssemos nós estragar as cores que ali "pintava". E a "Irmã do piano" também lá estava... com um olhar ausente e uma história recente que nem a própria consegue contar. Porque já não consegue falar, porque interagiu pelas festinhas que nos deu nas mãos e pelas tentativas falhadas de comunicação. A Irmã que me ensinou a tocar piano e que tinha uma personalidade forte teve 3 AVCs e agora... só de olhar custa, ali sentada, numa cadeira de rodas, a olhar para nós e tentar recordar-nos, com as outras Irmãs a dizerem-lhe "São tuas amigas, lembra-te delas...". Foi um mau momento, mas bonito e estranho ao mesmo tempo, pela forma pacífica e natural como as coisas pareciam ter sido encaradas pelas outras Irmãs. Realmente, foi por isso que elas seguiram este caminho...
Entretanto, nós duas tristes porque não encontráramos lá o nosso mais querido Professor, reformado cedo demais (isto porque queríamos continuar a encontrá-lo), tivemos uma oportunidade única! A amiga que vive assim as coisas teve a brilhante ideia de pedirmos logo ali o número e, sem demora, ligou-lhe e ambas falámos. Foi de forma comovida que nos ouviu a voz, embora absolutamente surpreendido e com dificuldade em encontrar palavras para nos responder. Conseguiu dizer-nos o quanto achou importante o nosso telefonema e o saber que nos ficou na memória... "para sempre", disse-lhe eu. Tenho-lhe uma ternura enorme!
Para sempre... este Professor, outros, outras, as Irmãs, as amizades, as memórias, as aprendizagens, a formação pessoal e profissional. É para sempre a saudade de tempos que para lá vão, de pessoas que viveram connosco e para nós. É para sempre a certeza de tudo ter sido tão bem aproveitado, com tudo quanto temos e somos. O colégio do coração é PARA SEMPRE...