sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pequenos momentos, grandes momentos


Podia fazer dos pequenos momentos grandes e dos grandes pequenos. E não haveria momentos médios... era tudo ou muito grande ou muito pequeno.

Podia pegar no desafio diário do semáforo laranja e fazê-lo crescer para um ritual essencial...

Podia pegar no primeiro passo à saída de casa e no cheiro a manhã e fazer deles o maior momento do dia...

Podia fazer do dilema matinal da espuma de banho, entre o rol das cinco, a maior das decisões...

E, tal como estas pequenas coisas se tornariam grandes, as grandes ficariam pequenas. Seria assim que a dor do momento ficaria minúscula, talvez desaparecesse...



O início foi o pior dos três. Conheci comportamentos de desafio, desmotivação e violência. E só aos poucos pude ser quem queria ser. Pude libertar-me, pude dar-me por completo e a magia deu-se a nós e entre nós.

(Não sei mesmo o que faria se não fosse este o meu rumo de vida...)

Os dias foram-se fazendo de oportunidades de inovar, tocar, mudar e os mimos foram-se tornando constantes. Passámos a depender - todos - muito desses mimos. Fui amiga, por vezes quase mãe... fui tudo o que me motivaram a ser, às vezes pelo simples sorriso de cada um. Dei-me como mereceram - toda - e recebi em triplicado. Ouvi e li declarações que ficarão para sempre comigo, fiz as minhas também. E quem me dera fazê-lo com a facilidade que eles têm... olhar, sorrir e deixar fugir uma frase que veste o coração. Eles foram meus. Meus por umas 6 ou 7 horas diárias, 30 a 35 semanais, muitas - mas nunca demais - mensais. Causaram-me angústias e dúvidas, mas depressa desequilibraram a balança com um sem fim de alegrias, momentos divertidos e descontraídos. E mais mimos.

Os nossos dias e a nossa rotina esgotaram-se agora. Para mim, poderia ser apenas "mais um", mas nunca é. Nunca será uma coisa mecânica, será sempre uma coisa vivida, sentida dia-a-dia... que tem terminado com uma festa cheia de gente emocionada e muitas lágrimas. Não é fácil passar-se um ano assim, a viver tudo intensamente para, de repente, lançá-los a todos para umas feras que eu não conheço. É neste momento do ano que gostaria de poder voltar atrás ou esticar o tempo para a frente: tê-los mais tempo comigo, procurar mais oportunidades de aprendizagens mútuas. Sim... mútuas! Aprendi tanto...

Preocupa-me que as saudades já estejam a exceder o espaço que supostamente lhes era destinado. Mas eu adoro-os, do fundo do coração, e não há nada a fazer.

Mas que saudades!


E o que era grande tornou-se ainda maior...