
Fecha os olhos e ouve o silêncio. Sente as tuas memórias. Agora, vê algumas a ficarem incompletas. Repara que umas se apagaram... as que estavam mais próximas. Mas lembras-te da tua infância, talvez da tua adolescência. Agora abre os olhos e observa. A pessoa que está à tua frente é um rosto desconhecido. No entanto, lês-lhe nos olhos um olhar familiar. Não percebes porquê. Alguém que sabes quem é conta-te que, em tempos, tu foste uma das maiores causas de felicidade desse rosto desconhecido, que lhe proporcionaste momentos de uma amizade inigualável e que essa pessoa te estará eternamente grata. Ficas a saber que um dos maiores desejos dela é que voltem a fazer parte da vida uma da outra. Mas tu não sabes quem está à tua frente. Tu não te lembras, não há nada de familiar na pessoa que ali está, por mais que ela tente, dando-te pistas sobre pequenos grandes momentos... Não tens mesmo memória de alguma vez se terem cruzado.
E, por dentro, era agora que eu caía.