
Era uma vez uma formiga taxista que tinha um carro. Fora-lho oferecido quando já todas as condições necessárias a uma condução autónoma estavam prestes a ser reunidas. Esse carro tinha tudo o que a formiga necessitava: era confortável, permitia-lhe fazer algo por várias pessoas e receber gratificantes reações, era seguro, ganhava bastante bem e exigia muita dedicação por parte dela. Tanta que, mesmo ao fim do dia, arrumado o carro na garagem, esta apenas conseguia afastar-se dele por curtos espaços de tempo, já que havia sempre uma folha para limpar no pára-brisas, um pouco de pó acumulado aqui e ali, migalhas dos clientes mais distraídos, pegadas, terra, pingos de chuva seca, o depósito para encher diariamente de gasolina...
Andava a formiga nesta sua vida, quando lhe apareceu a sua consciência, alertando-a para o facto de estar tão apegada ao seu carro, que não era saudável para um bicho tão pequeno fazer girar a sua vida em torno daquele automóvel. E, como as consciências das formigas são demasiado persistentes, veio daqui a sugestão de trocar de carro, para um que fosse mais autónomo, cuja gasolina durasse mais tempo, cujas folhas, pegadas e outros "senãos" desaparecessem sozinhos.
Quem a vê, diz que desde esse dia nunca mais foi a mesma e que parece ter três patas num carro e três patas noutro. São assim as formigas: pequeninas no tamanho, pequeninas na coragem. Pobres delas...