terça-feira, 31 de julho de 2012

Ao mesmo tempo

Diz-se que cada coisa tem o seu tempo porque cada pessoa também o tem. As pessoas fazem coisas.
Este post resume os últimos dias e pinta-se assim: dois pincéis, uma folha de papel, guache de cor preta e guache de cor rosa. Pega-se em ambos os pincéis, colocando um em cada mão. Um irá molhar-se de preto, outro de rosa. Agora, em movimentos circulares e contrários, utilizam-se ambos na folha de papel. Deve resultar uma mancha de cor indestinta, embora nalgumas zonas se distinga um pouco de rosa e, noutras, um pouco de preto. Eis o que se passou.
Para o rosa vão as pessoas que acabei de conhecer - tarde, mas não tarde demais - e descobri, as pessoas que estão a realizar caminhadas difíceis, rumo ao objetivo de se superarem, as pessoas que acompanharam cinemas, as que estiveram nos almoços, as pessoas dos jantares e as dos lanches, as que dizem "quem me dera ser como tu", as que admiram, as que brilham por mérito próprio, as que incentivam e as que estão sempre onde é preciso.
Para o preto vão as pessoas que tomaram decisões terríveis sobre a vida de outras, as que perderam a noção do mundo que as rodeia e querem que os outros também percam, as inábeis sociais, sem o mínimo de sensibilidade e as que criticam sem o dom da sabedoria de querer compreender contextos... as tais que acabarão por, mais tarde - tarde demais - sentir tudo na pele.
Pintar assim não é o meu forte.