terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Saga Samsung

Parte I - Fnac, ida n.º 1
Era mais do género de filme... empunhando a câmara, mantinha o vício de filmar muito. Imagens fixas só ao sabor do telemóvel e, por vezes, de uma espécie de câmara fotográfica, quase um brinquedo devorador de pares de pilhas AA.
Dezembro é o melhor mês para as prendas de mim para mim, por isso ofereci-me, em vésperas do mês, uma jeitosa máquina digital. Estávamos a 27.
Parte II - Surpresa!!!
Dia daquela maravilhosa festa de Natal... terça, 14. O ecrã da máquina veste-se de branco, depois, por breves segundos, revela a imagem normal e, por fim, divide-a, visualmente, em dois e prolonga-a. Logo no momento em que me preparava para guardar uma imagem do cenário da melhor festa que já fiz(fizemos).
Calma, muita calma. Não estava programado, mas nada que uma ida à Fnac, de talão na mão, não resolvesse. Só faltava o que sempre falta: tempo.
Não foi 4ª, não foi 5ª, não foi 6ª, foi sábado. E, em cada um destes 4 dias, voltei a clicar no "power". Era só para ter a certeza.
Sempre branco.
Parte III - Fnac, ida n.º 2
Sim, ir a um centro comercial, em qualquer um dos dias das duas semanas que antecedem o Natal é a loucura. E, se eu não ponho lá os pés ao fim-de-semana, muito menos o deveria fazer agora. Respirei fundo muitas e muitas vezes. E mais algumas. E ainda mais umas. Creio que, se não o tivesse feito, a espera de 40 minutos na fila do pós-venda Fnac não seria suportável. Provavelmente, nem o facto de apenas ter demorado a horas até encontrar lugar para o carro.
A espera foi de loucos. A empregada desaparecia, por vezes, e por longos períodos de tempo. Por mais que tentasse, nunca cheguei a perceber porquê...
Finalmente eu.
- Olá, bom dia! Comprei esta máquina recentemente e desde 3ª feira, sempre que eu a ligo, faz isto...
Vai o dedo ao power e... (o que vou contar faz-me sentir tão estúpida que quase tenho vergonha) e... e NADA! Nada... que é como quem diz: a máquina funcionou normalmente, uma, outra e outra vez. Não... não tenho qualquer explicação lógica para o facto de a ter ligado umas 20 vezes nesse e nos dias anteriores e, do nada, no momento mais inoportuno, ela ter voltado a funcionar normalmente.
- Desculpe! Desculpe! Eu juro que isto não estava assim nos últimos dias... Não sei que lhe diga... Não tenho mesmo palavras... (ligo e desligo freneticamente a máquina) Peço desculpa... como deve calcular, eu não estou há 40 minutos nesta fila sem razão! Eu não acredito nisto...
E, não havendo prova visível de que algo estava errado, restou-me desimpedir a passagem a quem tinha direito a queixar-se.
Parte V - Fnac, ida n.º 3
Dois dias de fotos. E, ao 2.º, vai a Filipa ao Bairro 6 de Maio quando, no momento em que projectava fazer uma reportagem fotográfica - ao jeito de "ver para crer" -, a máquina volta a revelar o seu segredo.
A 27 faria 1 mês de posse. A 27 próximo não poderei, de todo, ir à Fnac... então era o dia certo.
A fila tinha 10 minutos de comprimento, por isso foi aceitável; ainda mais quando a responsável do departamento de fotografia foi buscar uma caixa nova e começou a transferir, elemento a elemento. Entretanto, achou mais prático - e eu assenti - modificar somente a máquina e manter todo o resto.
Troca consumada. Saí de missão cumprida.
Parte VI - Fnac, ida n.º 4
Já fizera umas comprinhas, já jantara, já chegara a casa e já estacionara no sofá. Momento de abrir a caixinha novamente, como se de novidade se tratasse.
Não vou - porque não quero e porque acho desnecessário - discursar sobre o que senti quando me apercebi de que, na tentativa de facilitar a troca, a senhora que me atendeu não tirou a bateria da 1ª máquina nem transferiu a nova da segunda caixa para a minha, o que se traduz da seguinte forma: 2 a 0. 2 para a 1ª caixa; 0 para a 2ª... que foi a que eu trouxe para casa.
Entrei em pânico, pois sabia lá onde, 3 horas depois, estaria a caixa e respectivo conteúdo!
Toda a "burocracia" de pôr o carro pronto a circular na estrada já não vinha a propósito. Ora bolas...
E se a caixa tivesse sido despachada para parte incerta?
A história acaba com um final feliz: apanhei um empregado mega simpático, que pescou a caixa e me completou a troca (1 a 1).
Final feliz

domingo, 7 de novembro de 2010

Grandezas & Pequenezas...


Era uma vez uma pulga pequenina e irrequieta. Daquelas que não param de saltar. Saltou, certo dia, tão alto, que se viu no colo de alguém muito maior que ela. Mas não é cá dessas grandezas físicas, mas tão somente grandezas de coração... aqueles corações bem grandes que até nos custa acreditar que cabem dentro de alguém. Há poucos, e encontrá-los é difícil. Tantas e tantas vezes são eles que nos encontram a nós. E depois chamam-nos baixinho, só com um sorriso. Um sorriso grande, assim como o coração... Vem repleto de magia e de vontade de nos juntar às suas histórias e aos seus dias.

Há por aí gente tão pequenina...

Há por aí gente tão grande....

E há por aí tanta soma de grandes e pequenos, que resulta em amizades sentidas.

Gosto de ser pequenina...
e gosto da minha face "pulga".

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A história que eu não quero contar



Fecha os olhos e ouve o silêncio. Sente as tuas memórias. Agora, vê algumas a ficarem incompletas. Repara que umas se apagaram... as que estavam mais próximas. Mas lembras-te da tua infância, talvez da tua adolescência. Agora abre os olhos e observa. A pessoa que está à tua frente é um rosto desconhecido. No entanto, lês-lhe nos olhos um olhar familiar. Não percebes porquê. Alguém que sabes quem é conta-te que, em tempos, tu foste uma das maiores causas de felicidade desse rosto desconhecido, que lhe proporcionaste momentos de uma amizade inigualável e que essa pessoa te estará eternamente grata. Ficas a saber que um dos maiores desejos dela é que voltem a fazer parte da vida uma da outra. Mas tu não sabes quem está à tua frente. Tu não te lembras, não há nada de familiar na pessoa que ali está, por mais que ela tente, dando-te pistas sobre pequenos grandes momentos... Não tens mesmo memória de alguma vez se terem cruzado.

E, por dentro, era agora que eu caía.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Frase da semana

- Vocês têm de parar de dizer mantêga, a senhora pode pensar que estão a gozar com ela.
- Ela é a única que fala assim!
- Se calhar é a única alentejana...
- Professora, de que país são os alentejanos?

sábado, 16 de outubro de 2010

Frase do dia

rótula & rúcula
"Professora, a rótula não é aquilo que, às vezes, se mistura na salada?"

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Onde mora o coração?


Fui.
A força das memórias tomava proporções tão grandes quanto podia e, por isso, o receio era algum. Nem todas as saudades fazem bem ao coração, pois se lhes mexermos de certa maneira, podem saltar cá para cima e misturarem-se com o nosso dia-a-dia... dar origem a comparações constantes, a chamamentos que não conseguimos ignorar e a uma vida que é toda menos assente em CaRpE DiEm. E eu já sou virada qb para trás das minhas costas, não precisava de mais.
Fui cedo.
Ainda tive de respirar fundo dentro do carro e meditar sobre o facto de ter de procurar a forma mais inteligente de lidar com todo aquele dia. Basicamente: absorver todo o calor humano que certamente me estaria prometido, sem me deixar absorver pelo facto de não o ter regularmente; aproveitar ao máximo cada segundo, sem me ver perdida em angústias; e, sobretudo, ter esperança.
Há pequenos percursos que o espírito faz longos. Comecei assim: nunca mais lá chegava e a pergunta era "Quem vou encontrar primeiro?". E, até chegar ao meu porto seguro de emoções - a grande Professora do edifício cor-de-rosa e eterna amiga -, onde eu poderia voltar a respirar fundo já com algumas emoções novas, cruzei-me com muitas pessoas que começaram logo a baralhar as coisas todas cá dentro. Porque estiveram lá entre hoje e 1986... algumas mesmo em 1986, a receberem-me e a tratarem de mim.
Em porto seguro, voltei a olhar em volta para descobrir que as paredes estão de outra cor, o chão de novo material e as mesas e cadeiras novas. Os estores já não se abrem por meio daquele instrumento super original e pouco prático que eu adorava ver a minha Professora usar, mas a sala cheira ao mesmo. As recordações ficaram, assim, com um poder imenso.
Depois senti o ambiente descontraído e simpático das colegas de profissão que, embora não tendo feito parte da minha História, me tratam como se tal não fosse, e isso sabe bem. Bem demais.
Depois veio a hora das maiores emoções, em alguns momentos já talvez mais difíceis de gerir, porque as memórias mais fortes são aquelas que envolvem pessoas. E pessoas como estas, que começaram, sussessivamente, a aparecer aos meus olhos, recordaram-me, com mais força que nunca, a ligação forte e familiar que fez de mim o que hoje sou. Eram as Irmãs, eram os Professores, eram as vigilantes e empregadas, e eram as "crianças" que aqui há 9 anos e mais para trás se sentaram ao meu colo e me mostraram que não poderia ter havido qualquer outra opção profissional.
Se os tivesse contado, o número de pessoas que contribuiu para este calor humano e este turbilhão, onde todas as emoções couberam, passaria das cinco dezenas. Num extremo, chegava a sentir um "Chega, não aguento mais"... noutro um "Espero não perder ninguém". É que a força dos abraços e o comprimento dos sorrisos ajudam-nos a ter a certeza do lugar onde mora o coração... e isso faz-nos sentir entre duas raquetes, que nos atiram para cada um os extremos, conforme o cérebro pensa demais.
Foi um dia único e fica gravado, para juntar a tantas outras memórias ricas e preciosas, polvilhadas da magia dos reencontros... fica a nostalgia, a saudade saudável e, com alguma pena minha, a outra saudade também. Fica a esperança e fica a certeza do lugar onde mora o coração.

sábado, 2 de outubro de 2010

Voltar.


Sim aos regressos aos lugares onde fomos felizes. Sim ao crepitar das memórias a cada cantinho, à explosão de déjà-vu, visões, flashbacks... aos sentimentos e emoções encerrados no cimento do chão, nas cores das tintas que cobrem as paredes, nos trajectos entre cada dois pontos, nos horários, no som da campainha, nos cheiros que formam sequências de memórias que vão daqui a muito longe daqui, bem lá para trás. Sim a uma atmosfera de magia infinita e sim às páginas de um álbum bem cuidado, de 15 anos de felicidade pura e simples.
Devemos, sim, ir até onde fomos felizes, para nos sentirmos satisfeitos e saciados pelo que a vida, até então, nos deu.
Devemos, sim, voltar para reavivar memórias e para sentir saudades...
...das que não fazem (muito) mal.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

No país do pôr-do-sol

Aquela sensação ao pôr-do-sol? Quando a quietude se instala na alma e o mundo pára porque estamos bem. Bem. Sentimo-nos felizes-porque-sim. E a vontade de prolongar todas aquelas emoções é toda quanta possuímos.

***
Eu estive no país do pôr-do-sol... onde a alma está calma e nós estamos bem e felizes. E a vontade de não deixar acabar é grande demais. Onde há gnomos com o dom de abraços inigualáveis e de um bom humor contagiante. Gnomos que se encaixam dentro do nosso coração, que se embrenham na nossa teia de amizades e que querem que façamos parte da sua história. Gnomos que se aninham no nosso colo e nos deixam com todo o mimo que conseguem dar...


Estive no país do pôr-do-sol... onde fui feliz, onde sorri e vi sorrir. Um país que nos envolve, que nos prende e de onde é sempre difícil sair.


Estive no país do pôr-do-sol... e saí de lá com ele nas minhas costas. Quentinho. Pensei que nem sempre é fácil ter retrovisores: uma imagem que pede uma volta de 360 graus a cada rotunda; os olhos embaciados.


Estive no país do pôr-do-sol e trago-o no meu retrovisor, bem guardado. Não trago os gnomos porque não posso, mas trago tudo quanto me deram durante os 4 dias. Basta olhar para trás.


E tudo o que é bom tem mesmo de acabar SEMPRE, não é?


Mas não é PARA SEMPRE...
...porque, afinal, no país do pôr-do-sol,
o sol NUNCA se põe. OBRIGADA!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Turquia 2010 (Antalya)

É sempre giro… o avião dispara, cola-nos as costas ao banco, a velocidade cresce a cada segundo e levanta. Claro que, até ali, o inconsciente encarrega-se de nos fazer viajar as ideias e, apesar de não temermos andar de avião, há sempre algures o pensamento “E se, por acaso, isto cai?”. E depressa procuramos o pensamento nº 2: “À partida, os pilotos também não fazem tenção de morrer hoje”… Até podiam ser suicidas, mas a probabilidade é reduzida.

Nunca convém partilhar estes pensamentos com quem está por perto. No mínimo achar-nos-iam loucos.

Este retalho da Turquia é simpático. As casas são baixas, predominam as geminadas, há estufas em toda a paisagem e o calor faz tremer o alcatrão. A condução segue um qualquer código onde parece que tudo é permitido: ultrapassagens perigosas, avançar nas passadeiras onde estão pessoas, andar de mota sem capacete, pisar todos os traços desenhados, sejam de que natureza forem. E, por momentos, parece que os semáforos seguem uma regra um tanto ou quanto peculiar: verde para andar, laranja para andar, encarnado para andar; antes de voltar ao verde, acende-se o laranja, em simultâneo com o encarnado… e, em alguns, há constantes contagens decrescentes que nos fariam acalmar em frente aos semáforos portugueses!

Sou de praias e corro à procura daquele bronze que a minha pele nunca conheceu. Achei que seria desta… com tanta exposição ao sol, achei que não falhava. Tive o cuidado de até só sair por duas manhãs, a excursões…
Na primeira excursão, as paisagens foram uma cascata, a parte mais antiga de Antalya e, para terminar, o brinde destas excursões organizadas: a visita a uma loja onde, suponho, os guias põem uma valente comissão ao bolso. Vendiam-se ali peles e fomos recebidos pelo, então, cúmplice do esquema: um Paulo português saído, creio, de um daqueles canais de compras via TV. “E porque é que vale a pena comprar aqui, perguntam vocês! É simples! Primeiro porque…”. Atreveu-se até a dizer que mora em Istambul e estava de férias mas, sabendo que ali ia um grupo do seu país natal, correu a Antalya para nos receber… são centenas de quilómetros.

Safou-se, aqui, o desfile de moda, um pouco mais a sério do que me passara pela cabeça, embora não ligue minimamente a artigos em pele. Nós, meninas, ficámos sem pio quando apareceu o loiro dos olhos verdes que tinha um estilaço a andar que era uma coisa do outro mundo. E tenho a certeza que ele sabe que é assim. Convencido.
Como seria de esperar, saí de mãos a abanar, o que me deu um certo prazer – foi verdadeiramente incómodo andar a circular pela interminável loja, curtindo o ar condicionado, com um dos mil vendedores sempre colado a mim. Experimentei ir à casa-de-banho para descobrir onde morava a linha que ele não ultrapassaria mais e, por momentos, cheguei a pensar que ele ia entrar comigo. Mas não… afinal, havia expositores quase até à porta.
A segunda excursão foi às ruínas de Perge e ao teatro de Aspendos. Adorei aquela magia das ruínas greco-romanas. São sempre um impulso a algumas viagens fantásticas no tempo… sentir cada cantinho, imaginá-lo em perfeito estado e quase ver as pessoas que ali estiveram há tanto tempo atrás. Fascinante. A perolazinha (literalmente) desta excursão foi o passeio a uma outra loja: jóias. Curiosamente, o mesmo Paulo português… também envolvido neste tipo de comércio.

De resto, todos os dias foram entregues à água do Mediterrâneo mas, ao contrário do óbvio, não estive de pezinho na areia pois, confesso, não apreciei muito a linha de pedrinhas ao longo da beira-mar, que tinha de ser transposta para tomar banho. Em vez disso, instalei-me sempre no pontão de madeira do resort, com um bar no centro e várias camas confortáveis espalhadas. Os banhos estavam sempre garantidos pelas várias escadas e o pôr-do-sol, visto dali, era qualquer coisa de indescritível!


Todas as noites, o resort oferecia um espectáculo… danças, musicais e, na minha última noite, um grupo de chineses em várias acrobacias. Isto tudo num anfiteatro monumental que quase sempre enchia na sua totalidade com uma quantidade de pessoas que eu não imaginava que o aquilo pudesse comportar em simultâneo!
Fartei-me de comer. A cada refeição, um buffet mais colorido e completo que o anterior… uma loucura. Somente os doces deixaram muito a desejar (felizmente), definitivamente, são alimento para os olhos… tudo muito bonito mas demasiado doce e criativo para o meu estômago. Sou gulosa, sim… grandes quantidades de uma restrita variedade de doces… ali não encontrei Haagen-Dahz, waffles, baba de camelo, doce de ovos ou - este vai-me fazer correr a comprar – brigadeiro ou bolo de brigadeiro do Amor aos Pedaços. Ainda bem.


A parte da leitura que fiz deu-me um prazer imenso e ajudou-me a embrenhar na paisagem marítima turca… Comecei por ler sobre Susy Salmond, que morreu e conta, do seu céu, a história que se vai desenrolando… episódios familiares e outros sobre o seu assassino; "Quase toda a gente no céu tem alguém na Terra para vigiar, um ser amado, um amigo ou mesmo um desconhecido que uma vez foi simpático, que nos ofereceu comida quente ou um sorriso radioso quando precisávamos.". Passei, depois, para Lila, uma mulher que vai viver sozinha e recuperar de um divórcio, que conhece três homens apaixonados por plantas tropicais, que adquire algumas e acaba no México à procura de outras… nove em especial, cada qual com sua magia, sempre perto das outras três personagens com algo de muito espiritual e esotérico para ensinar a qualquer momento; "As plantas precisam de raízes, porque não conseguem sobreviver sozinhas. As raízes prestam-lhes uma boa ajuda e impedem-nas de serem arrastadas por todo o lado, pelo vento. Mas nós, humanos, podemos movimentar-nos à vontade. As nossas raízes prendem-nos inutilmente aos lugares, geralmente, a um local onde não queremos estar. Depois, quando tentamos mudar, cortamos as nossas raízes e isso dói. Por isso, acabamos por ficar exactamente onde estamos.". Por fim, passei a ler sobre Abby, uma mulher que sofre um acidente que lhe prejudica o cérebro e se reflecte na sua memória. Pelo risco de perder recordações importantes, decide elaborar uma lista e, com a ajuda da família e de um homem por quem se apaixona, vive grandes momentos que regista sempre num diário e em fotos, tentando guardar as memórias; “Não importa onde as guardo e de que modo as recordo, importa que as guarde".



Volto a Portugal sentindo que a missão foi cumprida: esqueci-me que tenho a casa virada de pantanas, esqueci-me do que faço da minha vida profissional (bom, não tanto, tive um brainstorming em plena toalha de praia e preenchei duas páginas e meia com ideias que não pedi para ter), mergulhei em três histórias completamente diferentes, diverti-me tanto quanto podia, mantive amigos por perto via net, e trabalhei para o bronze (na realidade, foi para o ouro… será que estou dourada?).

E agora vou a sobrevoar Itália… “E se, por acaso, isto cai?”… “À partida, os pilotos também não fazem tenção de morrer hoje…”.

Gostei muito! =o)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Girassorrisos




Daqueles sorrisos que o mundo tem, há uns capazes de nos deixar sem palavras, que nos fazem ter vontade de tomarmos o lugar de girassóis – em jeito de girassorrisos. São sorrisos de que, sem querer, podemos começar a depender um bocadinho – uma dependência saudável que cria um ciclo de sorriso-provoca-sorriso-dá-a-volta-e-repete.


Há sorrisos que fazem nascer histórias improváveis, que vêm a transbordar de magia. Conseguem até confundir-nos a noção de tempo pela forma como preenchem um espaço que passa a ser comum… e familiar.


Quando nos tornam girassorrisos, estes sorrisos passam como que a fazer parte do nosso dia-a-dia e, mesmo que a sua presença não more, por vezes, nos nossos olhos, do nosso coração ela não sai mais, mesmo à distância de algumas centenas valentes de quilómetros. Fazem de borboletas, vêm poisar mais cores na nossa vida e polvilhá-la com momentos para recordar. E deixam-nos a vontade de lhes dedicarmos tempo e todo o mimo que tivermos para dar.
***
Sorrisos destes, aqui, querem-se para sempre!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Incompleto...

Há-de chegar aquele dia em que o anjinho fica completo...


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Breve homenagem às "caloiras"


Não sei bem definir o que para aqui vai... parece-se com o pôr-do-sol que me acompanha nesta viagem… Tem a ver com despedidas, com pessoas que saem daqui para entrar noutro lado. Tem a ver com sorrisos que se trocaram cedo e sorrisos que tardaram mas vieram. E com companheirismo, sobretudo.

És tu, que eu já sabia mas senti tarde e veio com força excessiva. Tornaste o meu ano numa perfeição onde tudo o que fazíamos, fazíamos bem. Foste incentivo ao equilíbrio e ponte de ponderações várias. És uma das pessoas mais completas que já tive o privilégio de conhecer e dói a privação de momentos tão preciosos como aqueles que guardo nossos. O que partilhámos ninguém nos tira e o que fizemos uma pela outra também não. Mostraste uma amiga que quero ter, no mínimo, a vida toda… e mais um dia.
E és tu, que eu vi com os olhos da integração que não te ofereceram e achava que estavas bem demais para precisares de mim. Foram as últimas semanas que me mostraram quem tu és, o que podíamos ter sido e o que te poderia ter ajudado a ser (tivesse o ano sido uma amostra do que estes dias foram...). E agora é tarde... Também te quero como amiga daqui para a frente e estou pronta para saber do teu "derreter" total, pois por esta altura já só vejo uma migalha do cubo de gelo que TU pensavas ser.

Detalhes

Saber olhar detalhes é saber rir, sorrir, sentir. É saber ver que, em alguns cantinhos, se escondem promessas de histórias conjuntas que se prolongam vida fora quando pensávamos que o comando seria pelo standby ou mesmo pelo shut down. Saber olhar pessoas, sentir sorrisos, sentir abraços e receber muito mimo. É ser até família e ser amizade dos pés à cabeça. Agradecer cada momento e viver como presente no presente. Ser reconhecido e reconhecer. Detalhes são entregas e entregas são vidas... Detalhes são amigos... para sempre.

sábado, 10 de julho de 2010

Este barco que eu apanhei...





O clichê era "alargar horizontes"... achei que ficaria bem dizê-lo sempre que me perguntassem "Porquê?" quando, na realidade, eu queria era dizer "porque sim", ou talvez porque me senti pressionada a fazê-lo. Não queria ficar para trás e acabei por ser a primeira, o que certamente terá contribuído para o que mais tarde me aconteceu...
A amiga que quase me obrigou a apanhar este barco, impingiu-me companhia e empurrou-nos às duas para fora de pé. Lá fomos...


Daí a pouco, a amizade estava construída e era forte demais para alguma vez vir a sofrer alterações.


Depois vieram outras e a coisa teve um descontrolo crescente, até ficarmos assim, coitadas, como agora somos: um grupinho de patetas que passam horas a rir de tudo... Mas as patetas mais lindas e mais unidas de que há memória!


Onde já se viu um grupo de adultas que canta, dança, grita, tecla, ri perdidamente, brinca, corre, salta, dramatiza, faz caretas...? Um grupo de adultas responsáveis por manter a ordem entre quatro paredes que não são (felizmente) aquelas onde nos reunimos...


Atracámos temporariamente o barco que construímos juntas em porto seguro, cientes de que somos um grupo que, decerto, provocou momentos complicados a algumas pessoas e momentos incrivelmente descontraídos a outras.


Gostávamos de ter encontrado um tesouro completo mas trazemo-lo incompleto; é uma pena, não deveria ser assim...


Fomos arriscando, correndo alguns riscos grandes demais e saindo sempre de tudo por cima, à tona. E à tona nos mantivemos nos momentos mais complicados, sempre partilhando remos quando o vento era pouco, para nunca irmos parar à boca dos nossos tubarões. Tubarões que, por vezes, se vestiam de golfinhos e nos levavam a acreditar nos seus guinchos e nos manipulavam e incomodavam.


Mas cada vez menos...


...e menos...


...e menos...


...e nada.


Elegemos, com o coração, os dois Grandes, e foi com eles que nos tornámos um grupo mais rico e melhor formado.


Estamos já com saudades e procuramos pretextos para manter o barco em andamento, sempre em festa... festas como só nós sabemos fazer.
Nós: o grupo maravilha!


Obrigada, minhas amigas maravilhosas, por me terem permitido ser tão feliz até agora, neste barco!!!
Adoro-vos!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Festa de Finalistas

Gosto muito de vírgulas, de reticências, de dois pontos; gosto pouco de ponto e vírgula; gosto nada de pontos finais, porque podem ser tortuosos. Sempre assim foi, porque isto de ser Professora é mau quando se chega ao fim e é hora de dizer adeus. E, friamente, parece um "Ok, agora que já vivemos 10 meses juntos, que já passámos mais de 30 horas por semana em grupo, que estamos totalmente rendidos uns aos outros, que partilhámos aprendizagens extremamente ricas e significativas e que aprendemos que o mimo é a coisa melhor do mundo... adeus, podem ir!".
Não há palavras que expliquem a magia da turma n.º4, o modo como contribuíram para a minha felicidade, como acompanharam o meu estado de espírito, compreenderam o meu cansaço e as minhas alegrias. A felicidade com que celebraram as minhas vitórias e se disseram orgulhosos por serem meus...
A nossa Festa foi um ponto e vírgula e estes dias vão sendo, para alguns, pontos finais. Posso não pôr um também? Vá lá...

Dores de fim de ano II



Só lhe estava a escrever no bibe como a adoro, como o facto de ser minúscula contrasta com o tamanho gigante dos seus abraços. E então apertou-me e chorou durante um bocado tão longo...


Como dói, "formiguinha"!


De repente, recordei o dia em que fui eu que pedi colo e apertei a minha Professora porque não aceitava deixá-la.


Eu só podia ter escolhido ser Professora.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dores de fim de ano



Lavada em lágrimas, diz à amiga:

"Ainda por cima vou mudar de casa! Não vou poder visitar a Professora! Ela tinha de ir a minha casa!"

E depois acrescenta:

"E a Professora tem sempre tantas coisas para fazer!"

sábado, 12 de junho de 2010

Vou ali e já volto...




Quando a mala com o computador e documentos importantes fica na Pizza Hut...

Quando levamos as mãos à cabeça à procura dos ganchos que não pusemos...

Quando julgamos ter perdido a chave de casa e ficamos à beira da loucura...

Quando vestimos o casaco do avesso...

...é sinal de que o nosso cérebro entrou em standby e de que, ou fazemos alguma coisa por ele, ou o mês de Junho acaba connosco de vez...

Acho que vou ali e já volto... E não levo o telemóvel comigo. Pode ser que tenha sorte e, no regresso, já os testes estejam corrigidos, as avaliações dos alunos feitas, a festa de finalistas preparada, as avaliações das estagiárias impressas e os trabalhos de mestrado entregues. E pode ser que, nessa altura, anda tenha amigos. O quê...? Ah... família... O que é que isso era mesmo?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Viagem de finalistas 2010



A energia é a de sempre: muita com picos de demais. Nada paga o que sentem por ali estarem juntos, longe da família e embrenhados num nonstop de actividades...

Chegámos sob chuva e sob céu cinza e isso não os afectou. Queriam piscina, queriam paintball, queriam os quartos, queriam discoteca e tudo quanto mais houvesse. Correram aos quartos e já lá ficavam se pudessem, a antecipar os picos de demais de que estes dias nunca se livram. Nem nós.

Jogámos, almoçámos, fizemos canoagem e piscina. Tivemos frio, lama nos sapatos e roupas molhadas.

E ainda nada pagava o ambiente que ali se sentia.

Depois do jantar, do karaoke e da discoteca, cama. Aquela cama que nestes dias é um tudo em um: uma toalha de mesa para as bolachas da mochila, um colchão de cambalhotas, um sofá para conversa. Mas que serve de pretexto também para um beijinho bem dado, um abraço apertado e aquele mimo que o pijama traz no tecido, que a cabeça na almofada traz consigo, que a minha responsabilidade tem sentido. São todos nossos, assim de repente, mais do que já eram até ali. E, do outro lado, têm quem os trouxe ao mundo de coração nas mãos e pensamento em nós.

Confiam em nós, como nós.

Quando queremos que a cama seja, então, uma mera cama e a noite silenciosa e calma, é sempre cedo demais para eles. De quarto em quarto, de cama em cama... eles e nós.

Silêncio. Uma e meia da manhã.

Vozes. Sete da manhã.

Porque já é de dia e querem sair e querem ir às 22 meninas do quarto de cima gritar, correr e tirá-las a todas da cama. Quanta criatividade...

Abrindo e fechando os olhos, ainda conseguimos prolongar a noite mais hora e meia, ali no nosso cantinho. Mas eles foram indiferentes a isso, pois estavam definitivamente de olhos abertos.

Refeição, actividade e chuva. Mais chuva. E outra vez chuva. Lama nos sapatos, reservas de roupa esgotadas e frio, muito frio. Mas o slide estava ali, estendido por cima do lago, a pedir que todos experimentassem. Não podia ter sido de outra maneira.

E voltámos cansados mas felizes, constipados mas realizados.

Foi muito bom, não trocava.

***
PS: contigo, a viagem foi a melhor de sempre

sábado, 5 de junho de 2010

Há dias assim




Há dias assim... que valem muito.
Mesmo que só existam para ouvirmos dizer:



"Não está a perceber... mesmo que tivesse um metro e oitenta, continuaria a ser pequenina".
*
*** Sabem bem ***
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