sexta-feira, 31 de julho de 2009

Leonard Cohen, 29/Julho, Pavilhão Atlântico


Gosto do timbre que perdura aos 74 anos. Gosto das músicas que são poesias e das poesias que são músicas. Gosto do olhar. Gosto da humildade. Gosto de Leonard Cohen.


Adorei o concerto, as palavras, a simpatia que derrete, as entradas e saídas que fez aos saltos, como se de uma criança de tratasse... e da música que tem no corpo.

Neste vídeo está uma pequena amostra do concerto e é uma das minhas músicas preferidas... "I'm your man".



quarta-feira, 29 de julho de 2009

Máquina do Tempo, Parte 1 - Alentejo



Há muitos anos atrás, passava férias e fins-de-semana na casa alentejana de uma tia-avó. Gostava especialmente de lá estar, porque a casa era grande e mágica, com um sem número de divisões. Havia sempre um local por explorar, cheio de portas, caixas e gavetas que escondiam memórias. Gostava de me contar histórias, partindo dos objectos que encontrava: uma boneca de loiça, um livro dos anos 50, um poster de um piloto de carros que já nem devia existir. Adorava os armários da cozinha, onde encontrava produtos esquecidos, encostados ao fim da prateleira, cujo prazo de validade passara há tanto tempo que se tornava hilariante. Gostava de plantar feijões, subir ao telhado, transformar uma casa de banho exterior em casa própria (andando com a chave no bolso), andar na bicicleta nova do tio e imaginar como seria andar na velha, com uma manete de mudanças no quadro e umas rodas absurdamente largas. Parecia mesmo uma mota e adorava sentar-me nela, apoiar os pés na ligação dos pedais ao quadro, agarrar o guiador e fingi-la de mota. E o cheiro a ferrugem.
A casa tinha quatro andares. O 1.º e o 2.º eram os nossos: quartos, casa de banho, salas e cozinha. Embora ainda hoje guardem, provavelmente, demasiados segredos por desvendar, eram o rés-do-chão e o sótão que chamavam por mim.
O sótão fora, em tempos, quartos de empregadas e espaço de acumulação de caixotes. Odiava especialmente aranhas e o facto de nalguns sítios o tecto ser mais baixo, fazendo-me sentir demasiado vulnerável… e o chão ser de madeira e ranger demais para meu gosto. Nunca consegui saciar a minha sede daquele lugar cimeiro. E as minhas poucas investidas foram, sobretudo, na divisão do sótão (teria umas 3 ou 4) onde eu sabia que se guardavam brinquedos da minha mãe e do meu tio. Transportes de lata, bebés de borracha e tecido, bonecos de plástico duro. Aquilo fascinava-me. E muitos dos brinquedos foram trazidos aos 1.º e 2.º andares para nós os usarmos até cansar. Deixámos de levar brinquedos de casa para nos entretermos, fazíamos lojas e hospitais, transformando a mais pequena coisa na maior que ela poderia ser.
No sótão, também me deixava desconfortável o facto de encontrar insectos nos plásticos que cobriam os caixotes, ou às vezes nos próprios caixotes. E, ainda hoje, arrepia-me a mera recordação das teias de aranha, talvez mais que as próprias aranhas. Nas poucas vezes que lá fui, evitei fazê-lo sozinha. Ah… e queria cruzar-me com ratos, porque a minha tia-avó dizia haver lá, só que nunca encontrei nenhum, o que foi uma pena.
No rés-do-chão, mais divisões. Era tão confuso quanto o sótão, pois a quantidade de móveis acumulados dificultava a sua descoberta. Eu tinha um desejo especial de explorar um cofre enorme. Lembro-me de uma vez o ter aberto, mas o encanto de o fazer era tal, que não me lembro de uma única peça que lá tivesse descoberto.

Um dos maiores achados foi o de um pequeno túnel escuro que terminava numa porta. E essa porta ia dar ao quintal. Não, eu não consegui passar porque estava rodeada de teias de aranha e eu já as imaginava enroladas no meu cabelo. Também não encontrei os ratos que queria. Se calhar, quando me contavam dos ratos, só me queriam assustar.
No quintal, havia mais portas, para além da do túnel escuro. Uma dava para uma espécie de adega e estava sempre fechada, outra para uns estábulos antigos, mais uma vez a transbordar de tralhas misteriosas e deslumbrantes. Era lá que morava a bicicleta nova do meu tio e eu – que desde os 6 anos andava em duas rodas – adorava ir buscá-la para passear. Eu, minúscula, e a bicicleta de montanha, de adulto, do meu tio.
Outra porta dava para a lavandaria, à qual nunca dei importância por estar demasiado arrumada. E havia mais três: uma que dava para um compartimento minúsculo, uma que dava para a casa de banho que eu fazia de casa (tinha uma janela e tudo) e outra que dava para o sítio de guardar a lenha. Ainda me lembro de um disparate que lá fiz, mas era criança: podia e devia fazê-los. Os pássaros têm a capacidade de mexer com os mais novos, sobretudo os pássaros bebés. Havia um ninho de andorinhas. A minha asneira envolveu um escadote e uma bengala. O escadote para eu ficar mais perto do ninho que estava no tecto; a bengala para substituir a minha mão, que nem morta meteria num sítio que não conseguia ver. Lembro-me do frenesim de andorinhas adultas que entravam e saíam de lá… Lembro-me de me esconder lá dentro e observá-las a entrar e a sair. E lembro-me do som das andorinhas com poucos dias de vida. Eu tinha de ver uma mais de perto. Tinha mesmo. Então, com a bengala – e com uma perícia que agora me surpreende – consegui puxar uma para fora. Apanhei um enorme susto quando uma das adultas ia a entrar mas, deparando-se comigo, voltou para trás; eu tinha tido o cuidado de as espantar previamente com o barulho de palmas, antes de cumprir o meu desejo impulsivo.
Quando puxei a andorinha bebé para fora, agarrei-a com a mão. Tinha uns 10 anos, talvez. Até lá, andava demasiado ocupada com brinquedos para alargar os meus horizontes desta maneira… Observei a andorinha sem penas, de todos os ângulos possíveis e voltei a ver as adultas travarem, sem entrarem. Ao dar-me por satisfeita, devolvi a andorinha ao ninho e não contei nada a ninguém.
No dia seguinte, a andorinha bebé estava morta, cá em baixo no chão. Já ouvira dizer que os pais são sensíveis aos cheiros nos seus filhos que não lhes pertençam, podendo rejeitar as crias. Assim foi. Senti-me esquisita, mas não sei se arrependida. Há coisas que as crianças têm de fazer uma vez na vida.
Até ter tido cão, pelos 12 anos, sempre andei a pensar e a estudar todos os animais que podia. E a aldeia era propícia a esses meus estudos.
Noutra aldeia próxima, que fica dali a uns 9 km, apanhei um pardal do chão. Tinha caído do ninho, também era pequeno mas tinha penas. Naquela casa, encontrei uma gaiola e fiquei muito feliz quando o pus lá dentro… Fazia grandes planos e os meus pais deixavam-me divagar sobre a alimentação que lhe ia dar e a forma como o manteria em casa, quando regressássemos. No dia seguinte, fui dormir a casa de outros tios-avós, e quando voltei já não tinha pardal. Desta vez, porque os meus pais o haviam libertado. Fiquei doida… estavam a privar-me de alimentar mais um disparate. Claro que o pardal acabaria por morrer nas minhas mãos ingénuas. Foi melhor assim e eu sabia-o, mas não os perdoei naquela altura, porque a decisão não tinha sido minha. E o pardal era meu.
Quando passeava de bicicleta, gostava de ir à horta gigante da minha tia-avó e, felizmente, nessa altura ainda não gostava de apanhar rãs, ou arranjaria mais um problema. Gostava – e isto é estranho – de estacionar a bicicleta à porta do cemitério e passear, percorrendo os caminhos entre as campas. Sentia-me estranhamente confortável a imaginar que estavam ali pessoas, debaixo da terra, e era fácil porque ainda não morrera ninguém com quem eu tivesse uma ligação próxima. E, quando íamos juntos, riamo-nos do que um dia uma velhota enrugada e assustadora nos dissera, ali perto: “Cuidado, andem aí almas vivas!”. Era inevitável espreitar para uma espécie de poço pouco profundo, sem água, para onde – nunca percebi muito bem porquê – se atiravam ossadas, no cemitério. Distinguiam-se perfeitamente crânios e outras partes do esqueleto, e não me impressionava, apenas fascinava. Tal como no passeio a um Mosteiro, quando andavam em escavações e haviam descoberto dezenas de cadáveres para os quais estive a olhar fixamente.
Nesses passeios campestres, desejava constantemente encontrar coelhos e javalis, mas nunca aconteceu. O mais perto que estive de ver javalis foi ver fezes e buracos onde, seguramente, se tinham esfregado no chão. Quanto a coelhos, alguns corriam a estrada de um lado ao outro, à frente do nosso jipe. Aí, eu ganhava o dia. E também com os milhafres que rodopiavam por cima dos eucaliptos ou com as cobras que rastejavam – longe – em muros ou pelo chão.
Um dia, apanhei um lagostim, à beira de um pequeno rio. Apanhei-o na mesma gaiola onde o pardal morara por 1 dia. Olhei-o, mais uma vez, de todos os ângulos que pude e, por fim, fui devolvê-lo ao rio, quando me fartei de olhar. Tinha umas pinças que exigiam respeito e não havia água onde o pudesse manter.
A casa tinha uma daquelas banheiras antiquíssimas, apoiada em 4 pés e com a torneira independente. Fazia uma piscina magnífica e os banhos, quando autorizados assim, duravam muito. E havia um armário cheio de gavetinhas e portinhas, mais um mundo dos muitos a explorar. O chão era o máximo, porque conforme o ponto de vista, criava a ilusão óptica de ser composto por cubos a três dimensões. Imaginava-me minúscula, a subir de cubo em cubo.
Havia histórias ali à roda: uma família cigana, à frente, que estacionava sempre o camião encostado ao portão da minha tia, e quando lá íamos, tínhamos de bater à porta. Havia os emigrantes ao lado. Havia a Isabel, a irmã do meio de uma família pobre, a quem uma vez abri o portão do quintal. Entrou com o irmão mais novo e deve ter sido dos momentos mais felizes da vida deles… talvez nunca tivessem brincado com brinquedo algum. Nunca me esqueci do que senti na altura, embora fosse bem nova e me tivesse impressionado o modo um pouco selvagem como eles entraram, quando os deixei. Pareciam esfomeados… fome de condições de vida. Pensei muito, nessa altura.
O pior dia que lá passei foi num dos passeios com o meu irmão. Eu teria uns 12 anos e, como por vezes fzíamos, levava-o sentado com os dois pés para o mesmo lado, no quadro da bicicleta do meu tio. Eu nem chegava com os pés ao chão, mas fazia-o constantemente e, modéstia à parte, com muita perícia. Mas, naquela tarde, as coisas não correram como sempre. O melhor dos nossos passeios eram as descidas e estávamo-nos a preparar para mais uma. Era só mais uma. Eu pedia-lhe sempre cuidado para não tocar nos raios da roda da frente com os pés. Mas, nessa tarde, ele distraiu-se e tocou; já íamos a meio da descida, cheios de balanço.
Nestas alturas, o nosso cérebro tem certamente um mecanismo de bloqueio. Lembro-me perfeitamente de que senti um impulso invulgar, como se a bicicleta levantasse voo. Como se tivesse sido, subitamente, puxada para cima, e nós com ela. O cérebro bloqueou. De repente, estávamos parados. No chão.
Quando abri os olhos – com o medo de sempre de alguma fractura – olhei para a frente. Num segundo, eu estivera no selim da bicicleta e o meu irmão no ferro do quadro, entre selim e guiador. De repente, eu estava na calçada com dores num cotovelo, ele a uns metros à frente e, mais metros depois, a bicicleta. Por mais que tente, não consigo – e na realidade nem quero – imaginar a bicicleta a sair de debaixo de nós os dois, a voar-nos por cima e a ir estatelar-se lá à frente, a uma distância considerável. E lembro-me bem do que o meu irmão chorou. Sentia-me responsável por ele e não chorei eu também. Ele tinha a cara esfolada e o mesmo trauma que eu. Sempre fomos demasiado sensíveis à simples ideia de pôr um pé num hospital. Crianças. E, naquele momento, eu também só imaginava o que seria regressar a casa, indo a pé por 3 ruas, com ele aos gritos, como se estivesse a morrer. O que iriam dizer os meus pais? Se calhar, não era assim tão justificativo para aqueles berros estridentes que me culpabilizavam, como irmã. Era demasiada coisa para pensar ao mesmo tempo.
Claro que o regresso foi terrível e cada qual com sua reacção mais própria, piorada pelo incessante berreiro. Podia ter sido muito grave, ele fora com a cara ao chão. Mas a radiografia disse estar tudo como deveria estar. E o meu cotovelo nem foi ao hospital, tinha sido uma pancada simples. Claro que aprendemos. Mas continuei a partilhar a bicicleta com ele e os outros, um tempo depois, sem que houvesse qualquer descuido. Só andávamos mais devagar.
Na aldeia, também havia o Manel, pedreiro, que vivia numa casa inacabada. E tinha um quintal com porcos grandes e maravilhosos. A Carôla tinha uma espécie de mercearia e um corredor estranhamente escuro, que ia dar a divisões escuras também. Era giro entrar no mundo dela. E havia a Ambrósia, que tinha um filho maluco, que aos 30 e poucos anos pegara numa pedra, atirara à cabeça do pai, matando-o; estas coisas sabiam-se e eu estava sempre a falar nisso; quando lhe passava à porta, via o local do “crime” e tentava imaginar... enquanto criança, é tão fácil ficar-se fascinado por coisas que tanto se afastem da realidade do dia-a-dia!
A Maria Antónia – uma em milhentas – morava numa casa que não tinha janelas! E a Zefa foi, até demasiado tarde na sua idade, uma espécie de empregada da minha tia. Mexia-se em câmara lenta e fazia necessidades num cantinho do quintal, antes de ser feita a casa de banho que foi a minha casa de brinquedo. Havia para lá uma espécie de canalização e ela agachava-se atrás do muro. Uma das minhas maiores descobertas foi que, apesar de se vestir toda de preto, a Zefa tinha cuecas dor-de-rosa. E ela foi motivo para nós, filhos, inconscientemente, termos criado uma grande maldade. A pobre senhora deslocava-se no jeito próprio – curvada, lenta e com falta de vista. A minha mãe comentara, certo dia, que tinha receio que a senhora caísse lá por casa. Então, nós resolvemos correr à minha mãe, dentro de casa, numa altura em que a senhora atravessava o quintal para se ir embora, e gritámos “A Zefa caiu!! A Zefa caiu!!”. A minha mãe começa a correr desalmadamente para socorrer a Zefa, que não só não caíra como já se fora embora. O resto imagina-se. Não terá ficado feliz nem terá, certamente, dado aos filhos lindos uma recompensa.
Conheci a aldeia a pé, de bicicleta e de jipe. Conheci-a sozinha e acompanhada. Explorei-a, subi montes, escalei pedras gigantes, atravessei rios com botas de borracha. Estudei fauna e flora (fiz, em tempos, um herbário e fiz de pequenas flores cor-de-rosa chupa-chupas doces, derreti-me com o cheiro das giestas e apahei bolotas do chão). Estudei pessoas – de cima a baixo – e conheci o fenómeno de passear pela rua e ir dizendo “Boa tarde”. E depois havia aquela coisa de ser sempre o centro das atenções – porque a minha mãe fora, há anos, criança, e agora tinha filhos que cresciam (dizia-se) a olhos vistos, porque as nossas bochechinhas eram lindas e nós também.
A par, visitávamos uma outra aldeia e umas ruínas. Mas isso é outra história.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A cor do mimo


O mundo está cheio de flores, borboletas, nuvens cor-de-rosa, príncipes, princesas e palácios encantados. E são estes mimos que nos ensinam a saber vivê-lo... assim: colorido!

domingo, 12 de julho de 2009

Semi-férias


Ahhh... as semi-férias! Com escola mas sem aulas, com horários mas sem TPC...

Esta semana teve início numa espécie de Grito do Ipiranga! E depois nunca mais me vi em casa a não ser para dormir... Ela foi cinema, jantares, cafés, compras, gelados, piscina, praia...

Próximo passo: assentar, acalmar este descontrolo... é que continuo a ter uma casa a gritar por "aquela arrumação".


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Slipping through my fingers



"Slipping through my fingers all the time

I try to capture every minute

The feeling in it


(...)


Sometimes I wish that I could freeze the picture

And save it from the funny tricks of time

Slipping through my fingers..."



Não os queria deixar ir embora...


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pequenos momentos, grandes momentos


Podia fazer dos pequenos momentos grandes e dos grandes pequenos. E não haveria momentos médios... era tudo ou muito grande ou muito pequeno.

Podia pegar no desafio diário do semáforo laranja e fazê-lo crescer para um ritual essencial...

Podia pegar no primeiro passo à saída de casa e no cheiro a manhã e fazer deles o maior momento do dia...

Podia fazer do dilema matinal da espuma de banho, entre o rol das cinco, a maior das decisões...

E, tal como estas pequenas coisas se tornariam grandes, as grandes ficariam pequenas. Seria assim que a dor do momento ficaria minúscula, talvez desaparecesse...



O início foi o pior dos três. Conheci comportamentos de desafio, desmotivação e violência. E só aos poucos pude ser quem queria ser. Pude libertar-me, pude dar-me por completo e a magia deu-se a nós e entre nós.

(Não sei mesmo o que faria se não fosse este o meu rumo de vida...)

Os dias foram-se fazendo de oportunidades de inovar, tocar, mudar e os mimos foram-se tornando constantes. Passámos a depender - todos - muito desses mimos. Fui amiga, por vezes quase mãe... fui tudo o que me motivaram a ser, às vezes pelo simples sorriso de cada um. Dei-me como mereceram - toda - e recebi em triplicado. Ouvi e li declarações que ficarão para sempre comigo, fiz as minhas também. E quem me dera fazê-lo com a facilidade que eles têm... olhar, sorrir e deixar fugir uma frase que veste o coração. Eles foram meus. Meus por umas 6 ou 7 horas diárias, 30 a 35 semanais, muitas - mas nunca demais - mensais. Causaram-me angústias e dúvidas, mas depressa desequilibraram a balança com um sem fim de alegrias, momentos divertidos e descontraídos. E mais mimos.

Os nossos dias e a nossa rotina esgotaram-se agora. Para mim, poderia ser apenas "mais um", mas nunca é. Nunca será uma coisa mecânica, será sempre uma coisa vivida, sentida dia-a-dia... que tem terminado com uma festa cheia de gente emocionada e muitas lágrimas. Não é fácil passar-se um ano assim, a viver tudo intensamente para, de repente, lançá-los a todos para umas feras que eu não conheço. É neste momento do ano que gostaria de poder voltar atrás ou esticar o tempo para a frente: tê-los mais tempo comigo, procurar mais oportunidades de aprendizagens mútuas. Sim... mútuas! Aprendi tanto...

Preocupa-me que as saudades já estejam a exceder o espaço que supostamente lhes era destinado. Mas eu adoro-os, do fundo do coração, e não há nada a fazer.

Mas que saudades!


E o que era grande tornou-se ainda maior...


Às 4

Já aqui fiz, em tempos, referência a quatro amizades bem grandes, que me cruzaram o dia-a-dia, no ano passado. Por elas foram-me proporcionados momentos de convívio enriquecedor que em muito contribuíram para me fazer sorrir.
Foi com descanso e conforto, que pude continuar a acompanhar os seus percursos (as pequenas vitórias, as indecisões e as dúvidas) e é com um orgulho do tamanho do mundo que as vejo agora terminar o ano lectivo, cada qual com sua turma, com um balanço muito positivo sobre o ano que passou.
Já tiveram provas disso - e eu não tenho qualquer dúvida - de como marcaram aquelas crianças para o resto da vida e de como sentiram que não existe profissão mais gratificante!
Estou feliz por vocês, queridas Amigas e Afilhadas, pela vossa magia e por aquilo que foram capazes de fazer! Barbie, Polly, Bratz e Su... Vocês são maravilhosas!!!

terça-feira, 9 de junho de 2009

A inocência que não cansa


Enquanto a inspiração paira algures e não chega ao blogue, a partilha de três dos muitos motivos por que ser Professora é uma profissão tão completa e "libertadora":

- porque uma das minhas crianças contou que cortava os cabelos às suas Barbies, já que nunca existiram Barbies avós e "as avós parecem rapazes";

- porque outra estava contente por ter comido, na viagem de finalistas, "protofelis" (que é como quem diz "profiteroles"...);

- porque uma terceira queria escrever uma nota numa frase e então fez um "asteróide" na folha (que é assim... a modos que um "asterisco").

terça-feira, 2 de junho de 2009

Retalhos do Congresso da OMEP

Ao longo destes 2 dias de Congresso, posso dizer que não aprendi nada. Mas, numa certa altura e contexto de vida, passar 2 dias de Congresso e nada aprender não é necessariamente negativo. Na realidade, foi muito produtivo e rico!
Riqueza...
Riqueza centrada na partilha de seres e de pensares. Conheci pessoas de ideias grandes e foram ficando no meu ouvido pequenas frases e expressões que aqui registo, em jeito de retalhos.
(Às vezes, ideias tão simples que, num futuro próximo, poderão enriquecer uma tese.)

- Começando no mais simples e indo ao encontro do meu pânico de ver o Magalhães tornado consola de jogos, disse a Vereadora da Educação da CML (Rosalia Vargas): "actividades como o brincar são actividades cada vez menos físicas".

- Disse o Presidente do Tribunal de Contas (Prof. Dr. Guilherme de Oliveira Martins) que "o outro é a outra metade de mim".

- Gostei da questão lançada pelo Reitor do Instituto Inter Universitário de Macau (Prof. Dr. Ruben Cabral): "Se não estivermos preparados para errar, onde poderemos ser criativos?".

- A intervenção mais rica e "iluminada" foi a do Juiz Conselheiro Álvaro Laborinho Lúcio que veio a dizer que todas as crianças são adoptadas: "as crianças, quando nascem, são adoptadas pelos pais biológicos". Defendeu uma "cultura dos direitos", brincou com o facto de achar que, quando alguém está a ouvir algo que não lhe interessa, tem duas opções: "ou fala também, ou tem um AVC". E depois, ao contar um episódio pelo qual passou, falou no facto de se ter saído bem e ter-se levantado nessa altura... "não fisicamente, mas espiritualmente".

- Por fim, a Drª Maria de Lourdes Levy, Presidente da Assembleia Geral da OMEP e Professora Jubilada, deixou-nos com a melhor definição que alguma vez alguém me deu de um data-show/projector de vídeo (que agora toda a gente utiliza para projectar apresentações de Power Point). Então cá vai: "No meu tempo, ainda não existiam esses aparelhozinhos a vomitar cintilações". Linda senhora! Quando tiver uma carreira como a dela, a contar 50 anos de profissão, oxalá venha a ter uma amostra da sua jovialidade!

Gostei do Congresso. Venha o próximo!

sábado, 23 de maio de 2009

Amália Hoje II

Já aqui tinha expressado o meu recente fascínio pelo projecto Amália Hoje, que a "Jo" me deu a conhecer, pelo vídeo de "A Gaivota", no seu blogue. Entretanto, no meu mp3 deixou de se ouvir fosse o que fosse para além das nove músicas do CD. Era portanto óbvio que, sabendo da ida dos 4 músicos principais à Fnac, eu faria de tudo para não falhar.

Não falhei e, duas horas antes, estava na primeira fila com a amiga Su, que também anda rendida ao CD.

Pensei que o meu fanatismo pelas músicas já não poderia ocupar mais espaço cá dentro, mas afinal estava enganada. Bastou a apresentação abrir com a Voz e aquela espécie de aura cheia de misticismo que circunda a Sónia Tavares...
De ir às lágrimas.


Todos os momentos com os Hoje, na Fnac, foram altos... mas escolhi a minha música preferida para mostrar a magia daquela noite:

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Para além


Para além dos livros...
Para além das visitas de estudo...
Para além do que se deve e não se deve fazer...
Para além das pertinências e das incoveniências...
Para além das intermináveis horas passadas nas cadeiras...
Para além do orgulho e da esperança nele...

Para além das 427 pessoas que ali se juntaram em trabalho...
Para além do novo Jardim-Escola que todas invejámos...

...a vertente humana, a do convívio.

Vocês, que vieram do Tramagal, do Porto, de Albarraque, de Alhadas, de Braga e da Estrela - as que partilharam experiências e as que mataram saudades.


Vocês, que vieram de Chaves e de Leiria, que mimaram tanto, tanto, tanto, cuja companhia foi mágica e que eu adoro.

Vocês, que vieram de onde eu vim - as amigas mais próximas, as nossas barrigadas de riso, as nossas gargalhadas altas e decontroladas e as nossas dramatizações perfeitas. Até as nossas diferenças e os nossos atritos. E, depois, a nossa nova união por um objetivo único... e a crença de que é agora que vamos fazer a diferença.

Fui feliz em Tavira =o) Mesmo!

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domingo, 26 de abril de 2009

Colégio do coração - Parte II

O segundo dia foi tão emocionante quanto o primeiro, ou talvez um pouco mais. Voltei a ter a sorte de encontrar algumas pessoas do dia anterior e muita pena de não matar saudades de outras pessoas cuja contribuição para a minha vida foi GIGANTE. E, mais uma vez, quem encontrei tornou cada minuto memorável e cada memória anterior ainda mais sentida... e saudosa.
Cheguei ao colégio do coração e, mais uma vez, fui conviver com pares meus: boa-disposição, simpatia e união por um objectivo comum. Que maravilha!!!
A festa foi colorida, divertida e fez rebentar o pavilhão com os aplausos e a contagiante boa-disposição!
Mas o melhor estava para vir. Aquele conforto interior... Aquela saudade que preenche e não se ultrapassa.
Eu e a amiga que vive tudo isto com a mesma intensidade quanto eu fomos procurar uma Irmã em particular, de quem foi aluna 4 anos. Encontrámo-la num local que, como qualquer outro daquele colégio, nos viu crescer durante 15 anos. Contou como leram na Comunidade a entrevista do Jornal de Letras. E estava lá ela com mais 3 outras Irmãs que nos conhecem desde sempre... Foi de lágrimas nos olhos que a "Irmã que cantava na missa connosco" se dirigiu a mim e me disse "Não calculas como foi bom ver-te!". A expressão sincera com que o disse veio reforçar que em parte ALGUMA do mundo eu me poderia encontrar... se não ali. A "Irmã das flores", que passava algum tempo na varandinha do ginásio antigo, com o seu regador e os seus vasos de flores... e outro tanto tempo no jardim do recinto de estacionamento, para onde não nos deixava ir, não fôssemos nós estragar as cores que ali "pintava". E a "Irmã do piano" também lá estava... com um olhar ausente e uma história recente que nem a própria consegue contar. Porque já não consegue falar, porque interagiu pelas festinhas que nos deu nas mãos e pelas tentativas falhadas de comunicação. A Irmã que me ensinou a tocar piano e que tinha uma personalidade forte teve 3 AVCs e agora... só de olhar custa, ali sentada, numa cadeira de rodas, a olhar para nós e tentar recordar-nos, com as outras Irmãs a dizerem-lhe "São tuas amigas, lembra-te delas...". Foi um mau momento, mas bonito e estranho ao mesmo tempo, pela forma pacífica e natural como as coisas pareciam ter sido encaradas pelas outras Irmãs. Realmente, foi por isso que elas seguiram este caminho...
Entretanto, nós duas tristes porque não encontráramos lá o nosso mais querido Professor, reformado cedo demais (isto porque queríamos continuar a encontrá-lo), tivemos uma oportunidade única! A amiga que vive assim as coisas teve a brilhante ideia de pedirmos logo ali o número e, sem demora, ligou-lhe e ambas falámos. Foi de forma comovida que nos ouviu a voz, embora absolutamente surpreendido e com dificuldade em encontrar palavras para nos responder. Conseguiu dizer-nos o quanto achou importante o nosso telefonema e o saber que nos ficou na memória... "para sempre", disse-lhe eu. Tenho-lhe uma ternura enorme!
Para sempre... este Professor, outros, outras, as Irmãs, as amizades, as memórias, as aprendizagens, a formação pessoal e profissional. É para sempre a saudade de tempos que para lá vão, de pessoas que viveram connosco e para nós. É para sempre a certeza de tudo ter sido tão bem aproveitado, com tudo quanto temos e somos. O colégio do coração é PARA SEMPRE...

sábado, 25 de abril de 2009

Colégio do coração - Parte I

É preciso ir para sentir.
A tradição, face a um horário comprido, é esta. Mas, mais uma vez, pude não falhar. O que é verdadeiramente extraordinário é que, ao longo do ano lectivo, sinto uma falta imensa e umas saudades que crescem continuamente... mas, quando lá chego, parece que, afinal, nunca de lá saí.
Sou capaz de não ter visto nem metade das pessoas que estava desejosa de ver mas, quem vi, acabou por me proporcionar uma sucessão de momentos mágicos.
Começou logo por uma Irmã directora de ciclo, que tanto colaborou nos meus estágios, ao depositar em mim uma confiança total, e uma Irmã que conheço há para lá de 20 anos (que continua a perguntar pelo irmão e pela mãe; que não esquece o nome; que não esquece a profissão… mas que foi esquecida pelo tempo, felizmente - a cada ano passado, é uma vitória reencontrá-la).
Duas filas acima, acenavam duas Professoras amigas. Língua Portuguesa e Inglês, reformadas mas sempre iguais a elas mesmas, sempre com sorrisos reservados para oferecer.
Daí a pouco, uma das Professoras que mais me marcou e ensinou na vida veio dar os parabéns pela entrevista do Jornal de Letras. “Fiquei muito babada” – dizia ela… e não era por eu ter falado no querido colégio e nos inesquecíveis professores; era, sim, por mim. Por mim! As saudades que lhe tenho, dos tempos em que me ensinava e dos conselhos de amiga, vieram todas ao de cima. Para o fim, mais as fez sobressair, ao recordar o que eu dissera na altura em que nasceu a filha: que iria ser professora dela, e a minha Professora não o esqueceu. Despedi-me com a tristeza de não saber quando regresso. Adoro aquela senhora!
Cruzou-se também uma Professora que me marca pela 2ª vez de uma forma que se destaca. No ano de regresso ao colégio, após um 8º ano de pausa, já me oferecera o ditado “Bom filho à casa retorna”. Agora, 12 anos depois de me ter dado aulas, continua a saber quem sou e, apenas pelo nome, ao olhar para mim, logo partilhou o facto de ter visto a mesma entrevista e que gostou muito. É que alguém se lembrou de colocar a entrevista no placar da sala dos professores e saber disso deixou-me encantada… ainda mais! Passam por lá algumas dezenas de professores e isso é fascinante. No fim, disse o que resume as pessoas que lá continuam e a quem me continuo a sentir ligada: "Já sabes que se precisares de alguma coisa, estamos aqui.". E eu sei que isso é verdade... sei-o MESMO!
Depois, as crianças que já não o são: os meninos e meninas a quem dei colo e que me mostraram que o caminho a seguir era este e somente este. Preenchem já os ciclos todos, até ao 12º ano. Não me sinto velha… mas sinto-me incrivelmente rica e mimada pela maioria deles. Já são poucos os mais antigos que ainda não ultrapassaram o meu tamanho e foram muitos os que vieram dar mimos.E basicamente foram estas pessoas. Ficaram a faltar muitas cuja passagem pela minha vida se fez com direito a aprendizagens significativas e com memórias que durarão infinitamente! Mas quem lá esteve fez por mim muitíssimo e trouxe-me o prazer de recordar relações humanas que mudaram a minha vida para sempre.
Depois tive de vir embora... de coração feito em água.

sábado, 18 de abril de 2009

Criminalidade caseira

O primeiro crime é de quem inventa estas coisas que, em menos de 1 minuto, nos permitem estar de garfo na mão. É o tempo de tirar do congelador e levar 30 segundos ao microondas.


O segundo crime é do consumidor porque prova e adora. É absolutamente divinal...
ABSOLUTAMENTE DIVINAL
A vitória é controlar o impulso de voltar logo de seguida ao congelador. Às vezes é difícil; sobretudo quando o objeto do crime parece tornar legal a expressão "mais olhos que barriga".

Viva o petit-gâteau!

(acho eu... o futuro o dirá)
***

terça-feira, 14 de abril de 2009

Todas a Tavira!

Para além do propósito que nos vai juntar a todos em Tavira, saltam estrelinhas desse trio de dias... Adivinham-se momentos felizes e memoráveis, não fossem eles passados com algumas pessoas que tanto contribuem para a minha felicidade.

Para além das vizinhas de trabalho, vêm os pozinhos mágicos do ano passado... Este ano, agora na semana de trabalho da Páscoa, já cá tinham vindo deixar sorrisos que encheram de cor-de-rosa as paredes da escola: a Bratz, que veio passar toda uma tarde lá e, no dia anterior, as mega simpáticas amigas das afilhadas, que também me visitaram, agora educadoras, que se estabeleceram longe daqui. Gostei mesmo :0)

E a querida Barbie e a querida Polly... que não apareceram mas aparecerão!

Concluindo: juntando as amizades de cá, com a das três de lá e das três amigas das afilhadas ("Amigo do meu amigo, meu amigo é."), estão reunidas as condições para serem três dias bem proveitosos e felizes... venha o que vier! Todas a Tavira!!!


***

domingo, 12 de abril de 2009

Nós vamos.

No outro dia, uma das grandes sugeriu o jantar mensal para um dia deste mês. Curiosamente, era o dia de um outro acontecimento que, anualmente, não perco. Estou sempre lá, só muda o meu papel.
Já lá vão 22 anos.
Logo me lembrei de juntar os dois e fazer de cada um o prolongamento do outro. O certo é que a ideia foi recebida de braços abertos e ficámos as quatro mais do que combinadas. Nós vamos lá. Nós vamos mesmo lá!

Regressamos com a esperança de reavivar memórias, reviver momentos, mostrar a quem nos interessa que nos interessa, sempre interessou e que por mais que o tempo passe, sempre interessará. Vamos dizer que ainda estamos aqui mas, simultaneamente, ali. Vamos ver o que mudou e procurar o que ficou. Vamos sentir tudo com quanto temos e contemplar o quanto fomos. Naquele dia, permitir-nos-emos esquecer o Presente.


É o colégio do coração...
*****

terça-feira, 31 de março de 2009

Ando assim :o)

Believe in what your heart is saying,
hear the melody that's playing.
There's no time to waste,
there's so much to celebrate.

Believe in what you feel inside,
And give your dreams the wings to fly.
You have everything you need,
If you just believe.

"Believe", Josh Groban - vídeo
How do I expalin it when
I don't know what to say
What do I do now - so much has changed
Nothing I have ever known - has made me feel this way
Nothing I have ever seen - has made me want to stay but
here I am - ready for you
I'm turnin', I'm fallin' - I hear my home callin'
Hey - I've never felt somethin's so strong - oh no
I'ts like nothing I've ever known
"Nothing I've ever known", Bryan Adams - vídeo
They said you wouldn't make is so far uh uh
And ever since they said it, it's been hard
But nevermind the nights you had to cry
Cause you have never let it go inside
You worked real hard
And you know exactly what you want and need
So believe and you can never give up
You can reach your goals
Just talk to your soul and say…
I believe I can
I believe I will
I believe I know my dreams are real
I believe I'll stand
I believe I'll dance
I believe I'll grow real soon and
That is what I do believe

"I believe", Yolanda Adams - vídeo

sábado, 28 de março de 2009

Tanzânia... sempre

A viagem à República Dominicana foi simplesmente extraordinária e não a trocava por nada. Nem ao Egipto, nem a Marrocos, nem ao Brasil, nem a Paris, nem a Orlando, nem a Tenerife, nem a Nova Iorque, nem a Amesterdão, nem a Veneza. Viajar é maravilhoso... mas viajar até à Tanzânia é transformador. A viagem mudou a minha vida para sempre... porque às paisagens maravilhosas, ao não pensar em nada senão naquilo, ao descanso, juntou-se a magia que é vermo-nos inseridos num meio que não é o nosso mas que podemos simplesmente contemplar, como se dele, afinal, fizéssemos parte. E fazemos durante aquele tempo.
Filmei durante 7 horas e só deixei de filmar porque a memória interna da máquia se esgotou. E agora, 7 meses depois, tenho finalmente o "filme da viagem", reduzido a duas horas de duração, dinâmico, cheio de músicas e de imagens, cheio de magia e de boas recordações. Que pena não ter trazido os cheiros nem a brisa! A selva entra-nos. A selva toca-nos na pele. Não sei explicar esse toque, mas é verdade que o faz. Eu senti.
Separado em dois DVDs, acabei por ficar com um filme que, entre nós, viajantes, irá fazer muito sucesso. Que pena não ter tido tempo para o fazer mais cedo! Mas tive de ver e rever por diversas vezes cada um dos milhares de clipes de vídeo, apagar alguns por inteiro, apagar partes de outro, pesquisar dezenas de músicas e fazer várias experiências com as seleccionadas. Foram horas - umas seguidas, outras separadas por semanas - e, em 2 minutos e 25 segundos, este é o resumo de todo o conjunto (mesmo que demore a carregar, prometo que vale a pena ver e ouvir):

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cruza. Não descruza.

É raríssima a vez em que a diretora chama. No outro dia chamou, enquanto eu almoçava.



Há pessoas assim... que se cruzam na nossa vida e, depois, nunca mais se descruzam. Era uma dessas pessoas, que me queria ver.
Aqui há uns incríveis 15 ou 16 anos, havia um grande senhor que trabalhava com o colégio. Tinha lá o seu papel e lidava muito connosco. Havia uma maneira especial de interagir com a nossa infância e era adorado por todos. Era grande - grande de tamanho, grande de coração - e dava-nos toda a atenção do mundo. Tinha uma cara de miúdo indefeso e era incrível como isso contrastava com tudo o que tinha para nos dar. Cedo seguiu um rumo que o fez ficar entre parêntesis na minha vida. Saiu do colégio e eu nunca mais me esqueci dele nem do mimo que me ofereceu naqueles tempos do meu 1º Ciclo. É curioso como facilmente reavivo o meu profundo carinho por toda a personagem.

Aqui há tempos, em Setembro, foram-nos apresentados os novos elementos da Prática , com quem acabamos por trabalhar também. Eram quase todos já "da casa", à exceção de um senhor alto e sério que se sentara atrás, quando todos estavam à frente. Quando o seu nome foi dito e toda aquela multidão se virou para trás, esboçou um tímido sorriso e penso que não disse nada. Há aqueles momentos "Conheço esta cara. Não. Deve ser impressão minha." e eu tive nesse dia, e noutro, noutro. Cada vez olhava mais para ele, mas havia um motivo óbvio para eu não o conseguir confirmar como quem eu pensava que era.
Um dia, com uma colega dele que me é grande amiga, acabei por ter a conversa que me levou as dúvidas: o mundo é minúsculo.

Esse senhor alto e sério, que esboçara o sorriso tímido, era, afinal, o grande senhor com a mesma cara de miúdo indefeso que tinha nos seus vinte e poucos anos anos. A forma como nos voltámos a cruzar foi magnífica e a vida tem estas voltas que nos sabem tão bem! Foi com uma ternura imensa que tive essa certeza, que voltei a olhar para ele e a recordar pequenos grandes momentos - sobretudo aquela atenção que ele nos dedicava de alma e coração. E foi com a mesma ternura - e uma timidez que me obriguei a controlar - que me dirigi a ele, num dia de reunião, após uma profunda "meditação" sobre a melhor forma de lhe dizer o que se entalou de repente. É fácil dizer aos outros como terceiras pessoas nos marcaram... mas aos próprios...

Disse o que queria, sobretudo a ideia de ter sido muito marcada na infância e de nunca me ter esquecido. Não me arrependi e fiquei muito feliz... sobretudo porque ele também.

Fiquei toda derretida, então, quando foi à escola e me mandou chamar para me cumprimentar. Admiro-o muito e ao percurso de vida que agora sei que teve. Adoro-o!

E adoro quem hoje me surpreendeu. Nos tempos licenciatura, era a nossa Barbie. Já o era diariamente mas, naquele dia do sapatinho de salto alto com o laçarote, foi-o a 100% e nunca mais deixou de o ser. Escondia-se por detrás de uma timidez que tentava controlar mas que, tímida por natureza, lhe apanhei na hora. Foi maravilhosa no dia em que nos contou que havia alguém que só sabia dizer que as crianças precisam de "muit'amor, muit'amor, muit'amor". Distraiu-se e, naquele momento, deixou a timidez de parte. Rimo-nos para sempre com a expressividade!
Identificava-me com as suas "teorias" e com ela aprendi muito... Sempre a chamei de "P gigante". P de Professora... GIGANTE por razões óbvias.

E, porque tem família naquela escola, hoje fez como o querido senhor com cara de miúdo e mandou chamar-me.

Como são importantes estas pessoas que nos mimam assim! Pessoas grandes que nos fazem sentir grandes! Que povoam as nossas vidas... vão e vêm, estão sempre por perto.

Cruzam e não descruzam mais.

(É nessa altura que o coração aperta e a coragem necessita de empurrões de lucidez. A lucidez do costume que veio em Setembro. Para ficar.)

quinta-feira, 5 de março de 2009

nada

O nada virá no dia em que as coisas não forem mais assim.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Fui“ passear”!!

Hoje, fiz uma coisa e não me orgulho de ter sido a primeira vez, num período grande. Fui passear a pé na minha zona…
O conceito de passear, defeito meu, transformou-se há uns tempos numa ideia de chegar a algum local específico com um determinado objetivo, mas curtindo o percurso. Não é andar sem rumo. Passei mais tempo a pensar “Mas passear até onde? Em que momento alcanço o que quero e volto para trás?”, do que a sair e arriscar. Até aqui, nunca estabelecera qualquer objetivo que estivesse por perto e, como tal, nunca fui “passear”. Resumindo e confundindo: queria escolher um local como objetivo, mas não conhecia local algum por cá; queria algum local para conhecer, mas não o podia estabelecer como objetivo; queria passear para conhecer e, simultaneamente, conhecer para passear!!!
Eis senão quando, há uns dias atrás, numas boleias que dei a uma colega, cruzou-se uma pastelaria no meu caminho, ainda por cima com bom aspeto! Ficou-me.
E, hoje, filho de dois desejos, nasceu o procurado objetivo! Vejamos: desejo de comer um bolo + desejo de apanhar com o sol brutal que lá estava fora = a tal pastelaria.
Chegando a casa, largo o acessório e levo o essencial: chaves e euros. Saí de imediato e, tanto quanto me lembrava, era só andar até chegar a uma igreja, que a pastelaria ficava mesmo ali perto.
Numa perspetiva assustadoramente diferente da que tenho quando vou recostada no meu carro, chego à igreja e, passando ao lado dela, estou numa avenida com ar de principal, larga e com muito movimento.
Agora, era só continuar o percurso, indo pelo lado esquerdo da igreja. Foi nesta altura que o cenário mudou e eu achei um mimo os estabelecimentos de comércio tradicional, embora não tão mimosos os produtos. Estou a lembrar-me, por exemplo, daquelas lojas de roupa às quais os donos dão o nome de uma mulher, com montras de manequins que são uma monstruosidade, piores ainda, por estarem vestidos com as roupas da própria loja; das sapatarias que calçam todos os velhotes e crianças da zona, mais as pobres senhoras de meia-idade que olham ao espelho e – verdadeiro mistério – acham que ficam maravilhosas com aquilo nos pés; da loja de flores artificiais que, à légua, se vê claramente estarem a desrespeitar as flores naturais, sendo um verdadeiro atentado à beleza de muitas delas; da padaria, com uma fila de clientes a começar no passeio e com um cheirinho perigoso a sair para fora; das lojas de móveis que há alguns duzentos anos que têm os mesmos móveis, no mesmo lugar, na mesma crença de que, alguma vez, alguém quererá ter tal coisa em sua casa; das tabacarias que, mesmo abarrotando de jornais e de revistas, ainda encontram criatividade para pendurar serpentinas e perucas; daquela porta de vidro que por cima diz "Centro Comercial" e que esconde uma retrosaria minúscula, um cabeleireiro com 3 cadeiras e 3 espelhos, uma loja não identificada e duas fechadas; da “tradicionalíssima” loja de chineses.
Parei.
Nesta entrega total ao lado esquerdo e direito da rua, à leitura de papéis de fantásticas promoções (muita coisa, nem oferecida eu quereria), às placas das lojas que me faziam pensar “Quanto tempo já terá?”, ao vazio que se instalara no meu estômago, senti que algo estranho se passava.
Ora bem… a tal pastelaria era mesmo ali, mesmo pertinho da igreja. Mas, desde que eu atingira a igreja, já estava a ver lojas a mais!
Sim.
Pois.
Ora bolas… não era para o lado esquerdo da igreja! Toca a voltar tudo para trás, depois de fazer a triste figura de me rir sozinha.
Quando, finalmente, volto a ver a igreja, fiz uma triste descoberta. A tal pastelaria estava na rua que desembocava mesmo ali. Era só atravessar.
Entrei.
De fora, parecia mais convidativa, confesso, mas esqueci-me quando chegou o palmier – cujo recheio era mesmo doce de ovos e não aquele creme foleiro, amarelo fluorescente, com sabor a supermercado, que às vezes tenho a infelicidade de provar – e o café ganhou!
Já satisfeita, de objetivo cumprido, chega o momento do regresso.
É curioso… de casa à igreja, não tinha reparado que fui sempre a descer mas, a cada passo que dei, da igreja até minha casa, reparei que vinha a subir. E que subida!
 
Por fim, estou em pleno sofá mega confortável, com uma tremenda canseira da minha caminhada… É que eu, hoje, fui “passear”!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

E foi...

Eu já fui assim. Já quis coisas que não podia ter: que o tempo parasse, que os pares me acompanhassem, que tudo pausasse. E não tive mesmo.
Anos passados, chegou-me quem me avivou memórias de tempos antigos. Tendo direito a um grande aparato em seu redor, eis que surge o momento em que quem a tem a seu cuidado toma uma decisão. Comunica-me de surpresa, deixa-me um pouco bloqueada e muito triste. Chamamo-la e fica de lágrimas nos olhos quado se apercebe que se despede de mim nesse mesmo dia. Quem a tem a seu cuidado faz-me sentir a melhor professora do mundo, dizendo coisas daquelas que entram e que ficam connosco sempre, e sempre. Oiço com carinho, agradeço do fundo do coração, embora ainda confusa com a rapidez. Diz que eu nunca poderia ter seguido outro rumo, mostra intenção de espalhar o quanto me respeita. E chora um bocadinho. Eu também, mas àquela hora tinha de ser para dentro.
Respondo como sou feliz fazendo o que faço e pouco mais me sai. Fico sem jeito e a sentir uma gratidão infinita, não sei bem porquê, nem por quem. Mas sinto. Apetece-me gritar de agradecimento por momentos como este, mas não sei a quem.
Desafia-me com uma combinação para breve e vai.
Mais tarde, após a tarde de abraços, colos e fotos, parte a chorar com a certeza de que não regressa.
Já tenho saudades.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O conforto mora aqui...


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Talvez. Talvez não.



Queria escrever que não sei; que a lucidez permanece desde há meses e que... Talvez. Talvez não.

Já percebo as frases que incentivam a reviravoltas sem medo, à consciência do "nada a perder", do "bora lá" e do "quem não arrisca não petisca". Talvez não seja tão difícil como parece. Talvez as teorias daquelas frases que por aí andam sejam concretizáves. Talvez. Talvez não.

E se o que se vê já chega e o que se sente chama? Chama... chama quentinha de uma vela que nunca apagou. Apagou... apagão... que houve quando a lucidez chegou. Chegou, ficou, mudou, ensinou. Ensinou... do ensino que a lucidez fez... com a vela e com a vida. Vida passada, com presente subtil e futuro presente. Presente... presente de prenda que eu agora quero muito. Muito... muito pouco esperei eu por isto. Isto... isto e aquilo, uma balança, dois pratos e um mostrador óbvio.

Ah, a lucidez... Será possível? Talvez, Talvez não.

domingo, 18 de janeiro de 2009

"The curious case of Benjamin Button"


"Your life is defined by its opportunities... even the ones you miss."

"It's a funny thing about comin' home. Looks the same, smells the same, feels the same. You'll realize what's changed is you."

"Benjamin, we're meant to lose the people we love. How else would we know how important they are to us?"

"For what it's worth: it's never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There's no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again."

"It's funny how sometimes the people we remember the least make the greatest impression on us."

"Everyone feels different about themselves one way or another, but we all goin' the same way."

"Some people, were born to sit by a river. Some get struck by lightning. Some have an ear for music. Some are artists. Some swim. Some know buttons. Some know Shakespeare. Some are mothers. And some people, dance."

"Sometimes we're on a collision course, and we just don't know it. Whether it's by accident or by design, there's not a thing we can do about it. A woman in Paris was on her way to go shopping, but she had forgotten her coat - went back to get it. When she had gotten her coat, the phone had rung, so she'd stopped to answer it; talked for a couple of minutes. While the woman was on the phone, Daisy was rehearsing for a performance at the Paris Opera House. And while she was rehearsing, the woman, off the phone now, had gone outside to get a taxi. Now a taxi driver had dropped off a fare earlier and had stopped to get a cup of coffee. And all the while, Daisy was rehearsing. And this cab driver, who dropped off the earlier fare; who'd stopped to get the cup of coffee, had picked up the lady who was going to shopping, and had missed getting an earlier cab. The taxi had to stop for a man crossing the street, who had left for work five minutes later than he normally did, because he forgot to set off his alarm. While that man, late for work, was crossing the street, Daisy had finished rehearsing, and was taking a shower. And while Daisy was showering, the taxi was waiting outside a boutique for the woman to pick up a package, which hadn't been wrapped yet, because the girl who was supposed to wrap it had broken up with her boyfriend the night before, and forgot. When the package was wrapped, the woman, who was back in the cab, was blocked by a delivery truck, all the while Daisy was getting dressed. The delivery truck pulled away and the taxi was able to move, while Daisy, the last to be dressed, waited for one of her friends, who had broken a shoelace. While the taxi was stopped, waiting for a traffic light, Daisy and her friend came out the back of the theater. And if only one thing had happened differently: if that shoelace hadn't broken; or that delivery truck had moved moments earlier; or that package had been wrapped and ready, because the girl hadn't broken up with her boyfriend; or that man had set his alarm and got up five minutes earlier; or that taxi driver hadn't stopped for a cup of coffee; or that woman had remembered her coat, and got into an earlier cab, Daisy and her friend would've crossed the street, and the taxi would've driven by. But life being what it is - a series of intersecting lives and incidents, out of anyone's control - that taxi did not go by, and that driver was momentarily distracted, and that taxi hit Daisy, and her leg was crushed."

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Zanzibar (Tanzânia), 18h do dia 30 de Agosto

(numa cadeira de praia com papel, caneta e leitor de mp3)
Com o impulso forte da Leona Lewis (“A moment like this”), preparei-me para o último pôr-do-Sol de Zanzibar. “Some people wait a lifetime for a moment like this" é a primeira expressão a fazer imensíssimo sentido. Depois, o “something so tender I can’t explain”, porque, o que este pôr-do-Sol traz, não se exprime por palavras, por música, por fotos ou pelo insistente filmar que não tenho conseguido evitar (nem tento). Não. Nada leva a tranquilidade, a serenidade, o tal “something so tender I can’t explain” para lado algum que não seja este, aqui e agora.
Evito a música que se segue, pois embora me toque sempre (“Quem me leva os meus fantasmas”, Pedro Abrunhosa), não acompanha o momento.
The call” (Regina Spektor), que muitíssimo me diz. Permito-me adequar a letra ao momento, pois, na minha ânsia de parar o que vejo agora e de o lever para casa comigo, tendo-o PARA TODO O SEMPRE, conforta-me especialmente ouvir a parte “Just because everything changes doesn’t mean it’s never been this way before”.
Faço grandes pausas enquanto escrevo ao lado, claro está, da máquina de filmar que não pára. Tenho de garantir que não perco um segundo que seja do espectáculo.É a última vez.
Consigo distinguir dezenas de cores e de tons... azuis, verdes, laranjas e lilases. Os barcos e as pessoas que se entrepõe entre mim e a leve linha de nuvens coloridas são agora meras silhuetas escuras, em contra-luz.

Poucas linhas de caneta... mas já na terceira música. Todas escolhidas a dedo. Agora, e por falar em linhas, transformo-me por cada vez que oiço este começo - "All of this lines across my face", em "The story", de Brandi Carlile. Não é apenas a letra, mas todo o conjunto. Tem sido aquela que oiço vezes sem conta e não canso. Se não é a minha música preferida, é uma das.
Entretanto, o Sol parece à distância de uma falange, da linha do horizonte. É um círculo perfeito, cor-de-laranja (igualzinho aos desenhos que eu fazia na minha infância) cujo aparente movimento de "pôr" é quase visível a olho nu. Com pena, não foi desta que tocou o mar, limpo de nuvens... elas formam uma linha que me impede de o ver mergulhar no Pacífico.
Vejo três quartos de Sol limpo e um quarto escondido pela linha de nuvens.
Nova música escolhida, pelo conjunto, novamente. "Little love", de um Aaron que eu conheci num anúncio de uma série. Esta é demasiado maravilhosa! Hum... afinal, a letra tem algo para mim. "Don't worry, life is easy." - repete ele, justamente quando o Sol desaparece por detrás das nuvens, sem ainda ter alcançado o mar. Aparece para responder ao imenso rol de perguntas que me atinge subitamente, como: Serei capaz de guardar de forma eficaz, mesmo muito forte e sentida, tudo o que tenho visto ("ver" num sentido muitíssimo abrangente) nestes fins-de-tarde? Conseguirei ir buscar estes sentimentos de tranquilidade, serenidade, paz plena às minhas memórias, da forma que dizia a música "The call" - "Let your memories grow stronger and stronger til they're before your eyes"? Conseguirei manter esta sensação de escudo contra eventuais stresses que se avizinhem ou como cura, após atingida por eles?
Sinto-me incrivelmente feliz... por tudo e mais alguma coisa! O distante. O próximo (como o livro que li nestes dias, 400 páginas de "A coleccionadora de ilusões", de Chris Bohjalian - as últimas 305 páginas em dois dias, tal o entusiasmo; absolutamente fascinada com o desenrolar da história e, sobretudo, com o imprevisível final).
Ahhh... que bom seria poder passar, de vez em quando, um dia inteiro na praia, a ler, terminando com este pôr-do-Sol fascinante e inspirador (que não existe em mais sítio algum por onde eu já tenha passado), que nos aproxima de nós mesmos e nos faz sentir tão bem acompanhados, mesmo que familiares e amigos já se tenham retirado para os quartos, ou para a vista da varanda! Na varanda, o espectáculo é também maravilhoso, mas não tive coragem de arredar pé da areia; o mar daqui, sem ondulação, também tem o seu "quê" e intensifica de forma algo... espiritual o fenómeno do sol.
A vida é linda.
De novo a Leona, mas o "Bleeding Love", pela força da melodia. O leitor de mp3 é "a cereja", em cima deste "bolo espiritual" e a esperança é que todos estes estímulos permitam manter a memória de hoje bem viva, bem presente, bem sentida. Volume no máximo.
Podia dançar na areia, correr pela praia ilumiada pelo que resta da luz solar de hoje... e gritar que a vida é linda e que sou feliz. Mas, por segurança, é melhor ficar onde estou, sem mais do que gritar pela escrita - tão libertadora quanto uma corrida maluca ou uma dança tonta.
Para terminar, mais Leona... "Footprints in the sand", novamente pela força... potentíssima!!! Sinto-me a arrepiar; confesso que, inicialmente, pelo refrão (acontece-me cada vez que me distraio e baixo as defesas), mas agora é porque estou com frio! O Sol passou a ser luz, já não aquece (a pele, que a alma ferve). E cá estão os mosquitos, ora bolas.
Acabo de esboçar um aberto sorriso a dois Masai. Passam o dia nisto. Vão passando, pela beira-mar, não sei de onde nem para onde, e vão acenando, dizendo o seu "Jambo!" que já sinto saudoso.
Sim, está quase.
Maldito frio repentino...
Vou arranjar-me para jantar.
Uma última coisa: os empregados do Gemma Dell'Est são demais, extremamente bem formados... sorriem muito, perguntam "How was your day?" e "How was your night?", dizem "See you tomorrow!" e "Enjoy your day!".
Cheira-me a perfeição ou, como disse por cá alguém que eu conheço, "It smells me...".
A serenidade sentida hoje é indescritível e a lembrança deste fim de tarde será um refúgio poderoso, espero eu, durante um longo período de tempo.
Um dia, quero voltar.